Produtores têm opções para conseguir financiamento
Cooperativas de produtores e empresas rurais com dificuldades de acesso ao crédito rural dos bancos públicos podem recorrer a uma verdadeira "sopa de letras" para conseguir dinheiro. Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), Warrant Agropecuário (WA) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) são títulos criados no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o objetivo de alavancar recursos para o agronegócio.
Essas letras passaram a fazer parte de um cardápio vasto, que já contava com alternativas como a Cédula do Produto Rural (CPR), que permite a venda antecipada da safra para custear o plantio, o Prêmio de Escoamento do Produto (PEP), Aquisições do Governo Federal (AGF), Empréstimo do Governo Federal (EGF) e contratos de opção, mecanismos tradicionais de apoio à comercialização agrícola.
Como o cobertor já é curto há um bom tempo e a agricultura demanda volumes crescentes de recursos, a saída foi criar novos instrumentos que garantissem a oferta de dinheiro num modelo onde a participação do governo é nula. Os títulos permitem a participação do capital privado no custeio e na comercialização da produção agrícola com taxas bastante atrativas. Dependendo do papel, pode haver uma redução em relação às taxas de mercado de até três pontos percentuais.
Para o ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin, cozinheiro da "sopa de letras", o modelo deu certo. De acordo com ele, os três títulos movimentaram R$ 20,852 bilhões até agosto deste ano, crescimento expressivo quando comparado ao resultado de R$ 196 milhões em 2005, quando os títulos chegaram ao mercado. ''Num cenário de falta de recursos, esses títulos são uma alternativa'', explica. Ele, que hoje trabalha na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), lembra que os títulos são isentos de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o ganho na operação fica livre de Imposto de Renda.