Alta da moeda norte-americana vai afetar o preço do pãozinho

09/10/2008

Alta da moeda norte-americana vai afetar o preço do pãozinho

 


A crise global vai chegar ao pãozinho de todos os dias. O dólar - fechado ontem a R$ 2,28 - já encareceu em até 25% o preço do trigo no atacado nos últimos 30 dias no país, apesar de a commodity estar em queda no mercado internacional. Analistas esperam, com isso, reajustes nos derivados do alimento já na próxima semana para o consumidor no Rio: o preço do pão deve subir 15%; o do macarrão, 20% e o dos biscoitos, 15%.

Segundo Antenor de Barros Leal, presidente do Sindicato da Indústria do Trigo do Rio, a queda dos preços das commodities acaba anulada pela alta do dólar. Ele lembra que o preço da tonelada do trigo da Argentina varia hoje de US$ 300 a US$ 320. Há um mês, eram US$ 330. E há quatro meses, US$ 400.

"O Brasil consome, por ano, cerca de 10,5 milhões de toneladas de trigo por ano. E importa cerca de 7 milhões de toneladas de um produto que é sensível a oscilações do mercado internacional e à cotação do dólar. Quando chegará ao mercado essa alta? É uma questão que depende da velocidade dos moinhos", afirmou Barros Leal.

Demanda - Na opinião do professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em varejo Juracy Parente, até agora as turbulências não comprometeram a demanda interna, principalmente de produtos de menor valor (alimentação e vestuário), o que deve garantir um crescimento do comércio este ano acima de 10%. Mas os varejistas mais dependentes do crédito, em especial os que vendem produtos de maior valor - caso de automóveis, artigos de luxo e eletrodomésticos -, terão as vendas afetadas já este ano, diz.

"O Natal deste ano está garantido - avaliou Parente, lembrando o aumento do emprego e da renda. Para 2009, ele espera expansão de apenas 2% nas vendas do comércio."