Fungicida contra vassoura recebe aval para registro
A Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) está mais perto de obter o registro definitivo do Tricovab, um biofungicida para ser usado como agente de controle do fungo Moniliophtora perniciosa, diversidade genética do Crinipellis perniciosa, causador da vassourade-bruxa no cacaueiro.
No dia 25 de setembro, o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Ilhéus (Condema) concedeu o licenciamento ambiental número 05/08, uma das exigências do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para legalizar o biofungicida e iniciar produção em escala comercial.
O processo para a obtenção do registro definitivo foi iniciado há cinco anos e vem vencendo etapas, a partir de diretrizes dos órgãos fiscalizadores. Em 1999, os pesquisadores já haviam conseguido do Mapa o registro especial temporário para fazer os testes de campo. Estudos de impacto ambiental feitos em seguida, em organismos vivos da fauna e flora, não constataram danos.
Faltam ainda estudos físico-químicos para fechar a documentação que vai ser encaminhada a Brasília, para análise do Ibama, da Anvisa e, por último, do Mapa, que dará o registro definitivo.
AGENTE - O biofungicida, que pode ser o primeiro produzido na Bahia a obter registro, foi desenvolvido por técnicos do Centro de Pesquisas do Cacau (Ceplac/ Cepec) e tem como princípio ativo o Trichoderma stromaticum, agente de controle biológico, que, em nível de solo, compete em espaço e nutrientes, alimentandose do fungo causador da vassoura-de-bruxa.
"O produto é mais uma ferramenta no manejo integrado, que não causa danos às culturas consorciadas com o cacau", afirma o fitopatologista Givaldo Niella. O pesquisador explica que o Trichoderma stromaticumquebra o ciclo do fungo causador da vassoura, evitando a formação do cogumelo e a esporulação, que dissemina a doença.
PESQUISA - O fungo antagônico Trichoderma stromaticum foi isolado na camada de folhas que ficam sobre o solo (serrapilheira) do cacau amazônico pelo pesquisador Cleber Novaes Bastos, da Superintendência Oriental da Ceplac no Pará, e José Luiz Bezerra, na década de 80. Em 1995, o pesquisador João de Cássia iniciou estudos em campo, orientando trabalhadores, na Fazenda Brasil, em Uruçuca, e verificou que o fungo reduziu em 99,7% o número de cogumelos formados pelo fungo Moniliophtora perniciosa, nas vassouras deixadas na serrapilheira e, de 56,6%, nas deixadas na copa do cacaueiro.
O Trichoderma stromaticum foi encontrado na forma sexual e mais perfeita, o que possibilita que ele se multiplique. A aplicação do Tricovab será feita com pulverizações sobre os galhos com a doença, removida das plantas infectadas.