Megavalorização faz dobrar preço do bezerro no oeste
A oferta menor do que a demanda provocou uma megavalorização do bezerro brasileiro, que dobrou de preço e desapareceu do mercado. A previsão é que este quadro resulte em novas altas no preço da carne bovina, que já estão em patamares considerados bons historicamente.
"O ciclo da pecuária se repete mais uma vez", dizem os criadores. É que os baixos preços do produto nos anos passados, notadamente nos últimos quatro anos, desestimularam grande número deles, que abateram indiscriminadamente seus rebanhos, o que ajudou a empurrar os preços ainda mais para baixo naquele período.
Nesta descrença na rentabilidade da pecuária, os criadores abateram também grande número de matrizes. Resultado óbvio: menor quantidade de bezerros. Com a reação do mercado, agora o caminho é inverso. Há novamente o estímulo para investir na atividade, pressionando a procura pelos bezerros.
"Não está tendo especulação. Na verdade, não tem bezerro no mercado. Temmais procura que oferta", diz o pecuarista Antônio Balbino de Carvalho Neto, da Agropecuária Antônio Balbino, com várias fazendas na região de Barreiras. Sem declinar números sobre sua produção anual, diz que sempre vende sua produção no mercado futuro, antes de os bezerros nascerem, deixando pequena parte para leilões.
A diferença este ano foi que a arroba do bezerro acompanhou a arroba do boi gordo e quem deixou para comprar na última hora teve que pagar muito mais caro, além de ter dificuldade de localizar o bezerro.
NEGÓCIO - Tradicional produtor de bezerros geneticamente selecionados, Antônio Balbino foi parceiro de Cláudio Paranhos, da Fazenda Japaranduba, em Muquém do São Francisco, em leilão na propriedade dos Paranhos, que comercializou todos os 2.569 animais disponibilizados no evento, com faturamento que ultrapassou R$ 1,5 milhão.
Vieram compradores de diversos municípios baianos e de outros Estados, como São Paulo, Pará, e Mato Grosso do Sul. Todos acreditando na tendência ascendente do preço do boi gordo. Caso contrário, não teriam pago até R$ 115 por arroba de bezerro, quando, no ano passado, a média ficava entre R$ 54 e R$ 55 para bezerros de alto padrão genético.
Estes são os chamados invernistas, criadores que se especializaram em engordar boi magro ou o bezerro para vender o boi destinado ao abate. Eles foram os primeiros que sentiram o reflexo do abate das matrizes e redução de bezerros na praça, que começou a ser percebido mais fortemente no ano passado.
Na esteira desta fragmentação do setor pecuário, determinados pecuaristas se especializaram em reprodução, alguns se utilizando do que há de mais moderno em termos de tecnologia de inseminação artificial e transferência de embriões. Este é o caso dos criadores Antônio Balbino e Cláudio Paranhos, que mantêm a tradição no oeste da Bahia, chamada de celeiro de bezerros.
CONFINAMENTO - De acordo com Antônio Balbino, o oeste baiano sempre foi exportador de bezerros, "mas não apenas para fora do Estado. Nós suprimos também parte das necessidades internas", diz. Como advento da agricultura em grande escala na região de cerrado, frisa, os criadores tendem a enveredar pelos caminhos do confinamento ou semiconfinamento.
Como para fazer a engorda depende da região do País e nem sempre há condições ideais para que isso aconteça em pasto, muitos criadores estão apostando no confinamento. A principal vantagem é a redução do tempo de finalização do animal para abate. Em condições normais, chegaria ao frigorífico em quatro anos.
No confinamento, com ração balanceada composta de cereais, capim triturado e suplementos minerais, esse tempo pode ser reduzido para dois anos e meio. Por ser uma região produtora de grãos, o oeste da Bahia dá também a oportunidade para os pecuaristas investirem nesta modalidade de criação.
No Brasil e especialmente no oeste baiano, onde o período de chuvas é bem definido e durante seis meses ocorre estiagem, por enquanto o confinamento acontece de forma parcial.