Incerteza na economia sugere cautela na compra de insumo

13/10/2008

Incerteza na economia sugere cautela na compra de insumo


 

O cenário de incertezas sobre o rumo da economia global já desperta preocupação na compra de insumos para a cafeicultura. A largada para os investimentos na lavoura é dada neste mês. Como os preços dos insumos são formados pelo dólar e as cotações do café estão baixas, a recomendação dos especialistas é que os produtores ajam com cautela na venda da mercadoria com o objetivo de gerar caixa. Uma possível redução no uso de adubos poderá comprometer a produtividade.
Sérgio Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, observa que as vendas devem ser feitas só para cobrir despesas essenciais. "Mesmo assim, recomendamos negócios para sete dias no máximo, tanto do lado do produtor como do exportador", explica . Ele acrescenta que, pela lógica de oferta e demanda, o cenário continua apertado e é otimista. "Mas no curtíssimo prazo, devemos esquecer toda regra lógica", explica. Carvalhaes lembra que a situação só não é pior porque a valorização do dólar compensou a queda da commodity.

Gil Barabach, analista da Safras & Mercado, também acredita que a espera é a melhor opção na atual situação. Dados da consultoria mostram que boa parte da safra ainda está com o produtor. Até 30 de setembro, a comercialização do café atingia 50% do total. O número é maior que o de 2007, quando 46% da produção foi vendida no mesmo período. "Muitos fizeram venda antecipada e começaram a entregar no mês passado. Mas quem estiver capitalizado e puder segurar a mercadoria, o cenário pode melhorar". A CONAB estima uma safra de 46 milhões de sacas.

"Passamos por um momento em que o produtor deve pensar bem antes de vender", afirma Gilson Ximenes, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC). Ele explica que esse ano foi atípico em vendas antecipadas. "Mas o produtor não conseguiu se capitalizar bem". Ximenes reclama que poucos produtores estão sendo beneficiados pelo Funcafé e afirmou que crédito é crucial nesse momento.

De acordo com o Banco do Brasil, já foram liberados R$ 110 milhões para custeio e R$ 150 milhões para estocagem. No total, o banco recebeu R$ 540 milhões em recursos para financiar essa safra, com juros de 7,5% ao ano. José Carlos Vaz, diretor de agronegócio da instituição, estima que o banco responda por 60% do mercado de financiamento do café. "No momento não há restrição de crédito ao produtor. Estamos atentos à necessidade do mercado".

Hugo Santiago, gerente de commodities da CM Capital Markets Brasil, acredita que o produtor precisa ampliar a proteção em bolsa para minimizar impactos em caso de crise. "A decisão do hedge precisa ser tomada no momento da colheita". Ele lembra que é necessário possuir caixa no caso de valorização. Mas destaca que o ganho ocorre no final do contrato com a entrega da mercadoria valorizada.