Simpósio discute produção energética via cultura consorciada
“A produção de matéria-prima para o biodiesel não é, e nunca será, a salvação da agricultura familiar. É apenas mais uma das inúmeras culturas. Portanto, não há contradição nem sobreposição entre as produções de energia limpa e de alimentos”, ponderou o superintendente da Agricultura Familiar da Seagri, Ailton Florêncio, durante o Simpósio Internacional Biocombustíveis e Segurança Alimentar, que começou hoje (13), no Instituto Cultural Brasil e Alemanha (ICBA), na Vitória. O encontro, que segue até quarta (15), reuniu cerca de 150 participantes entre estudiosos, políticos, técnicos da área, estudantes e representantes de renomadas instituições. A entrada é franca.
Na oportunidade, Florêncio falou sobre a capacidade do segmento da agricultura familiar em responder às demandas requeridas de produção de biodiesel, tendo em vista a viabilidade para o desenvolvimento sustentável e geração de renda condicionada a um conjunto de políticas públicas que envolvam a ampliação da área plantada, a diversidade e a atração de recursos para a difusão tecnológica. “Com a garantia desses elementos e, sobretudo da agregação de valor, inserimos o agricultor familiar no processo”, concluiu.
Para garantir o equilíbrio na oferta, o Governo do Estado, através da Secretaria da Agricultura Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), tem fomentado a produção de oleaginosas, a partir do consórcio com cultivares como feijão, milho, dentre outros.
“Com a política de distribuição de sementes, foi possível atender 150 mil famílias, em apenas um ano de trabalho”, comemora o superintendente da Suaf, ao falar das ações do Programa Semeando, desenvolvido pela Seagri e executado em parceria pela superintendência e pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA).
Nesse primeiro dia, o debate também abordou práticas para o controle de resíduos, emissões e poluição, bem como o desperdício de alimentos gerados desde a produção ao consumo.
Pesquisa e Tecnologia
Por ser o estado mais rural do Brasil, com 45% da população no campo, a Bahia tem a matriz produtiva como principal base de sustentação da maioria das cidades. “Daí a necessidade de interiorização das ações do Governo do Estado, que tem incentivado a difusão da educação tecnológica no campo, por meio dos centros técnicos e universidades públicas”, destacou a diretora da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Secti), durante a apresentação do Programa de Bioenergia, no que compete à área de pesquisa e extensão. Além da Seagri, que é a coordenadora do programa, e da Secti, ainda são parceiras do programa as secretarias de Meio Ambiente (Sema) e da Infra-Estrutura (Seinfra).
Ainda segundo ela, o ideal é que o meio acadêmico desenvolva projetos em parceria com os agricultores familiares, para isso, serão investidos mais de R$ 18 milhões, numa perspectiva consorciada. “É preciso saber ouvir e reforçar o conhecimento sem impor”, adverte.
Vale ressaltar que o programa está inserido num novo sistema de produção agrícola, a agroenergia, responsável pela produção de matérias-primas energéticas renováveis que deverão gradativamente substituir a energia oriunda do petróleo e do carvão.
Em oito anos, a expectativa é que o Estado possa atingir a marca de 7,8 milhões de metros cúbicos de etanol e 773 mil metros cúbicos de biodiesel, além de gerar energia e créditos internacionais de carbono. A co-geração de energia deve chegar a 2,5 mil megawatts.
Para aqueles que pretendem instalar usinas processadoras no estado, o governo deu a isenção de 5% para as usinas de se instalarem nas regiões do Semi-árido e Oeste e de 7,5% para as demais regiões do estado.
Ascom/Seagri 13.10.2008
Ana Paula Loiola
31152767/2737