Empresas investem em etanol

15/10/2008

Empresas investem em etanol

Empresas brasileiras e organizações industriais vão formar uma joint venture para financiar pesquisas em álcool celulósico, afirmou na terça-feira um diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A iniciativa inclui a Copersucar, maior produtora brasileira de açúcar e álcool, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a subsidiária da Bunge no país.

A Votorantim, maior conglomerado industrial brasileiro, o Itausa e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) também participarão do projeto, que deve ser assinado nas próximas semanas, de acordo com o diretor Benedito Ferreira.

"Elas vão criar uma empresa de propósito específico para fazer pesquisas sobre etanol celulósico", disse Ferreira em um seminário promovido pela Fiesp. "Estamos levantando dinheiro, e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) fará a pesquisa técnica. Também vai procurar parceiros, incluindo no exterior", completou.

O Brasil e outros países como Estados Unidos e Canadá estão correndo para desenvolver biocombustível a partir da biomassa, como lascas de madeira, um processo com obstáculos tecnológicos que estão aos poucos sendo superados.

A cana-de-açúcar é considerada uma matéria-prima competitiva para o álcool celulósico já que tem bastante biomassa, que hoje é queimada para produzir energia térmica e elétrica. Mas as folhas da cana e outras partes podem ser usadas para produzir etanol.

Produtores brasileiros afirmam que o custo de transportar matéria-prima como grama e madeira para as usinas é o maior problema para o projeto. Mas com a cana esse custo já é absorvido pelo processo tradicional das usinas. "Isso (etanol celulósico) é o futuro. Os americanos estão investindo uma fortuna e querem fazer parcerias conosco porque temos cana", disse Ferreira, sem dar mais detalhes. Ele explicou que a quantidade de dinheiro a ser investido no projeto será definido depois de finalizado um plano de negócios.

Crise

As restrições a crédito resultantes da crise financeira global poderiam reduzir a velocidade dos investimentos na indústria de etanol do Brasil e favorecer fusões no setor, afirmou o presidente da Unica, Marcos Jank, nesta terça-feira. "As decisões de investimentos tomadas no passado vão acontecer, mas é possível que, a partir de agora, não haja um fluxo para novos projetos, não apenas devido à escassez de crédito, mas também pelos preços baixos nos últimos dois anos", declarou.

"O setor está muito alavancado, e o aperto de crédito preocupa", acrescentou. O setor de cana do Brasil cresceu nos últimos anos devido à crescente demanda doméstica pelo biocombustível e com as perspectivas de crescimento nas exportações. Os investimentos no setor são estimados em US$ 33 bilhões entre 2005 e 2012, por diversos investidores, que incluem fundos de private equity, tradings e companhias de etróleo.(GazetaMercantil/Finanças & Mercados - Pág. 11)(Reuters)