País deve ampliar pesquisas com álcool celulósico

15/10/2008

País deve ampliar pesquisas com álcool celulósico

 

Sem grande tradição e, principalmente recursos, para avançar em pesquisas de combustíveis de segunda geração, o Brasil deverá reforçar sua atuação nessa área, com duas iniciativas prestes a sair do forno. A primeira deverá ser anunciada nos próximos dias pela Petrobras, que negocia acordo com os EUA, os principais fomentadores dessa tecnologia no mundo. Outra frente será coordenada pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) em parceria com a iniciativa privada.

Segundo Clifford Sobel, embaixador americano no Brasil, o Laboratório Nacional de Energia Renovável (NREL, na sigla em inglês), ligado ao Departamento de Energia dos EUA, negocia parceria com o Cenpes, o centro de tecnologia da Petrobras, para incentivar as pesquisas com etanol celulósico no Brasil. A Petrobras confirma que há parceria em estudo, mas não detalhou como será o acordo.

Os EUA gastam cerca de US$ 1 bilhão por ano para fomentar pesquisas nesta área e podem ter sua primeira produção em escala industrial a partir de 2012.

Maior exportador de álcool do mundo, o Brasil investe muito pouco nessa área, cerca de R$ 50 milhões por ano, ainda assim por conta de pesquisas encabeçadas pela iniciativa privada.

Também nos próximos dias, um consórcio de empresas e entidades deverá anunciar a criação de uma Empresa de Propósito Específico (EPE) para fomentar pesquisas na área de etanol celulósico. "Teremos a participação de oito importantes grupos, como a Bunge, Copersucar, Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), Votorantim Novos Negócios, Itausa, OCB (Organização das Cooperativas do Brasil) e Embrapa", disse Benedito Ferreira, diretor da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo). A meta é que a Embrapa coordene as pesquisas em etanol de segunda geração, a partir dos recursos que deverão ser levantados no país.

O mercado de álcool combustível é uma realidade no Brasil desde 1975, com a implantação do Proálcool. A internacionalização da commodity, contudo, encontra algumas barreiras. "Ainda não há uma padronização internacional do combustível", disse Sérgio Amaral, coordenador dos conselhos superiores temáticos da Fiesp. Entre segunda-feira e ontem a Fiesp coordenou uma série de debates sobre fontes de energia.

"Brasil, EUA e União Européia coordenaram reuniões para discutir a padronização do etanol, mas só concordaram em nove das 16 especificações exigidas", disse Amaral. China, Índia e África do Sul foram convidados a participar das reuniões, mas não chegaram a um acordo. "Com isso, as discussões foram adiadas." Além da não-padronização, outro desafio para a internacionalização do álcool é a necessidade de criar uma base de países produtores de etanol e de consumidores, disse Amaral. (MS)