Venda de semente pode cair
São Paulo, Ao contrário das expectativas de redução na área plantada de milho no Brasil, a produção e a venda de sementes para a safra de verão do País ficaram praticamente estáveis na comparação com o ano passado. Dados da Associação Paulista dos Produtores de Sementes (Apps) mostram que o volume de vendas de sementes até setembro atingiu 4,17 milhões de sacas, número 1,8% inferior ao mesmo período do ano passado. Cada saca corresponde à cobertura de um hectare na lavoura. Em 2007 foram comercializadas 6,75 milhões de sacas.
"A grande indefinição deverá ficar em torno da safra de inverno do milho. Mas não acredito em grandes reduções", avalia Cássio Cruz Camargo, secretário executivo da Associação Paulista dos Produtores de Sementes (Apps).
Para Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado, a redução de área plantada de milho tanto no Brasil como na América Latina é evidente. Conforme os números da consultoria, a redução pode chegar a 10%. No Brasil, a expectativa é que a área caia de 6,33 para 5,83 milhões de hectares (-7,8%). Na Argentina, que só planta milho no verão, a área cai de 3,05 para 2,95 milhões de hectares (-3,2%). No Paraguai, cuja área plantada foi de 400 mil hectares em 2007, os números só serão fechados em 2009, pois o país só planta a safrinha. "Mas a queda será na mesma proporção", avalia Molinari.
O analista destaca a alta dos fertilizantes como o fator que mais influenciou a redução. "A desvalorização do real e do peso prejudicou os produtores. A tendência é que os produtores migrem para oleaginosas nesses países". Paulo Pinheiro, diretor da Dow Agrosciences, também trabalha com uma redução de até 5% na área. Ele disse que, para a safra de verão, a meta da empresa foi atingida. "Temos tudo planejado e não deve haver sobras", afirmou. Para a safrinha, ele acredita que terá uma base no final de novembro, quando as compras terminam.
As incertezas em relação à liberação de crédito também pesaram na decisão de redução da área, afirma José Mário Schreiner, presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). Segundo ele, cerca de 20% dos produtores ainda não compraram insumos e muitos migram para soja. "Ainda não sabemos o tamanho do impacto".
Pedro Colussi, analista da AgraFnp, diz que uma possível redução da área não deve impactar os preços no curto prazo. "O estoque de passagem deve ficar em 15 milhões de toneladas e as perspectivas de exportações são pequenas".