Produção agropecuária será 25% maior em 10 anos, prevê Mapa
Brasília., O Brasil vai colher 179,8 milhões de toneladas de soja, arroz, feijão, milho e trigo na safra 2018/2019. Até lá, o País também vai responder por 89,7% das exportações mundiais de aves e 73,5% das exportações de óleo de soja. Essas projeções foram apresentadas ontem pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O governo não considera as projeções muito otimistas. Ao contrário, afirma que podem ser até conservadoras.
Segundo o coordenador da pesquisa, José Garcia Gasques, coordenador-geral de Planejamento Estratégico do ministério, as projeções já incorporam os efeitos da atual crise financeira mundial e levam em consideração pontos altos e baixos da economia brasileira e mundial. O ministério afirma que a expansão produtiva será obtida a partir de ganhos tecnológicos, sem depender de grandes expansões de área plantada.
O estudo abrangeu um total de 18 produtos, de grãos a laranja e suco de laranja, incluindo batata inglesa e mandioca. A conclusão do estudo é que os produtos mais promissores são soja, trigo, milho, carnes, etanol, farelo de soja e óleo de soja e leite. Quanto aos grãos, a estimativa é que a produção salte de 139,7 milhões de toneladas, conforme registrado na safra 2007/2008; para 179,8 milhões de toneladas na safra 2018/2019. É um crescimento de 28,7%. A produção de carnes bovina, suína e de aves deve saltar de 24,6 milhões de toneladas, em 2008; para 37,2 milhões de toneladas, salto de 51%. Estima-se um aumento de produção, no período, de 14,5 milhões de toneladas de açúcar; 37 bilhões de litros de etanol; e de mais nove bilhões de litros de leite.
Liderança mundial
De acordo com as projeções do ministério, o Brasil vai firmar posição como líder mundial na exportação de várias commodities agrícolas. A exportação de milho que atingiu 11,5 milhões de toneladas na safra 2007/2008 deve alcançar 22,9 milhões de toneladas em 2018/2019, crescimento de 98,3%. A venda de etanol ao mercado externo deve saltar de 3,5 bilhões de litros para 8,9 bilhões de litros no período, aumento de 153,8%.
Segundo Gasques, as projeções são factíveis porque consideram não apenas a demanda internacional, mas também "nosso mercado interno que é grande e está em crescimento. É o mercado interno que deve ditar o ritmo da expansão da agropecuária.", disse o executivo.
Mesmo considerando a desaceleração da economia mundial, as perspectivas são otimistas para a agropecuária brasileira. A previsão do ministério para o consumo anual de carne bovina na China continental é de 2,98%, assim como 2,62% na Coréia do Sul e de 2,53% na África do Sul. Ao mesmo tempo, estima-se crescimento anual de apenas 0,35% na União Européia e queda de 0,33% ao ano nos Estados Unidos. "Na Europa, a população tem até decrescido", disse o executivo do ministério. Recessão mundial, aumento do protecionismo e restrições climáticas severas são os fatores condicionantes considerados pelo estudo que podem levar a uma redução das perspectivas.
"O estudo está bem conservador. Leva em consideração momentos de crise ao longo da história", afirmou o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. O ministro destacou que o plano de zoneamento agrícola vai estabelecer regras claras sobre quais áreas poderão ser cultivadas com cana, acabando com debates sobre o avanço da produção de álcool em substituição aos alimentos. "O Brasil pode ter um aumento de produtividade incorporando muito pouca área", disse Stephanes. O estudo foi elaborado com o uso de três modelos para cada produto, com uma base de dados de 32 anos.