Café arábica acumula alta de 10% em dezembro

02/01/2006

Café arábica acumula alta de 10% em dezembro

 

 

Queda dos estoques do grão estimula produtores a reter vendas; demanda é menor no período. A forte alta dos preços de café registrada na Bolsa de Nova York esta semana, aliada à percepção de queda dos estoques do grão e ao baixo volume de negócios no mercado interno, típica do fim de ano, tem resultado em preços melhores para o produto. Desde o início de dezembro, a valorização do café bica corrida arábica duro tipo 6, negociado no Sul de Minas, já chega a 10%, segundo a consultoria Safras & Mercado. No último dia 27, o produto era vendido a R$ 265 a saca, ante R$ 240 em 1º de dezembro. Em relação à cotação de R$ 255, de segunda-feira, houve alta de 3,9%.

"O mercado está firme, mas sem liquidez. Os produtores estão segurando as vendas, na expectativa de melhora dos preços", diz o analista da Safras & Mercado, Gil Barabach. O analista conta que muitos cafeicultores retêm vendas no fim do ano para adiar o pagamento do imposto de renda (IR).

Barabach destaca que a projeção de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de 40,43 milhões de sacas a 43,58 milhões de sacas, abaixo das perspectivas do mercado, contribuiu para pressionar os preços para cima, à medida que reforçou a percepção de "pouco café" disponível no curto prazo.

Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, ressalta que há poucos produtores com café à venda no mercado interno. "Esta é uma semana tradicionalmente calma, em que ninguém se programa para vender ou comprar", diz Carvalhaes, lembrando que a valorização dos preços no mercado interno decorre também da alta das cotações em Nova York. O contrato de café com vencimento em maio fechou ontem cotado a 109,1 centavos de dólar por libra-peso. Na semana, os papéis acumulam alta de 4,15% e, desde 1º de dezembro, valorização de 13%.

"Os preços maiores resultam da visão de que os estoques estão baixos na bolsa e nos países produtores. Em Nova York, há fundos comprando, enquanto as origens, países produtores como o Brasil, não estão vendendo", diz Barabach. Segundo ele, em 23 de dezembro, os estoques certificados da Bolsa de Nova York somavam 3,901 milhões de sacas, 13,5% a menos que um ano atrás. Os estoques têm caído devido ao aquecimento das compras da indústria americana e à menor produção da América Central.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 8)(Chiara Quintão)