Custo da cesta básica cai pela 1ª vez no Real

03/01/2006

Custo da cesta básica cai pela 1ª vez no Real

MAURO ZAFALON


Queda nos preços agrícolas, reajustes moderados nos produtos industrializados e perda de ritmo da economia tiveram efeitos determinantes na queda do custo da cesta básica dos paulistanos no ano passado.
Pela primeira vez desde o início do Plano Real, o custo da cesta básica teve redução em relação ao ano anterior. A menor variação anual até então tinha sido a estabilidade de preços em 1996.
Conforme pesquisa de preços do Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos), os paulistanos pagavam R$ 212,30 pelos 31 produtos componentes da cesta básica na penúltima semana de 2005. Esse valor mostra queda de 2,4% em relação aos R$ 217,50 do final de 2004.
O principal fator de redução do valor da cesta básica passa pelo campo e pela perda de renda dos produtores agrícolas. A redução dos preços agrícolas, que gerou perda de receitas estimadas em R$ 21 bilhões para os produtores, permitiu a redução média de 2,2% nos preços dos alimentos em São Paulo.
Algumas quedas foram geradas por oferta maior de produtos e pela menor demanda interna, como a do arroz, produto que ficou 11% mais barato nos supermercados no ano passado.
Outras quedas ocorreram devido a mudanças no mercado externo. É o caso do óleo de soja, que ficou 17,4% mais barato no ano.
Há dois anos, quando os estoques mundiais estavam baixos, os preços dispararam. Recompostos os estoques, os preços da soja retornaram para a média histórica. A queda da soja trouxe para baixo também o custo do farelo de soja, importante na composição da ração animal.
O setor de carnes foi outro que cooperou para a redução dos preços dos alimentos na mesa dos consumidores. A queda registrada no varejo se deve a acentuados recuos de preços no campo.
A pesquisa do Procon/Dieese mostra que os paulistanos compram o frango nos supermercados por 10,4% menos do que há um ano. Nesse mesmo período, o preço do frango nas granjas paulistas recuou de R$ 2 por quilo, em dezembro de 2004, para R$ 1,10 na penúltima semana de 2005.
Os preços do boi e dos suínos seguiram a mesma tendência. Negociada a R$ 63 no final do ano passado, a arroba do boi gordo está atualmente a R$ 52.
Os suínos tiveram queda ainda maior. A arroba recuou de R$ 62 no ano passado para R$ 40 na semana passada.
A queda nos preços das matérias-primas agrícolas permitiu também o recuo nos preços das indústrias. O mercado do trigo, que ficou praticamente sem negócios neste segundo semestre e com preços baixos, permitiu a queda de 10% nos preços do macarrão e de 3% no dos biscoitos.
Outro setor que ajudou na redução dos preços da cesta básica foi o de higiene pessoal. A concorrência entre as empresas para manter participação no mercado permitiu o recuo médio de 7%. A redução veio também no custo menor das matérias-primas importadas devido à desvalorização do dólar.

Serviços
Os dados de inflação também refletem o mesmo comportamento da cesta básica no que se refere a alimentos e a produtos de higiene e limpeza.
A pesquisa de preços da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) registra inflação média de 4,9% em 12 meses, mas os alimentos subiram apenas 0,9%.
No mesmo período, os alimentos industrializados ficaram apenas 0,5% mais caros, e os semi-elaborados (carnes e cereais) tiveram redução de 2,9%. Já os produtos de higiene e beleza recuaram 0,2% em 12 meses.