SÃO PAULO - Prejudicada pela valorização do real, a Aracruz, a fabricante de celulose cujos lucros caíram 58% no quarto trimestre de 2005, aprovou uma nova política financeira para tentar minimizar os efeitos do câmbio em seu balanço financeiro. A empresa mudou sua postura ao adotar uma política de gestão de risco com operações com derivativos.
" Não controlamos o câmbio, uma das variáveis que mais nos atinge " , afirmou o diretor financeiro da Aracruz Celulose, Isac Zagury. " Por isso, tomamos a iniciativa de fazer uma política própria de gestão de risco uma vez que o Banco Central (BC) é hoje o grande incentivador das oscilações do câmbio " , disse o executivo.
A Aracruz tem os custos atrelados ao real, mas suas receitas são basicamente em dólar por conta das exportações. Quando o real se valoriza em relação ao dólar, a empresa reduz seus ganhos. No quarto trimestre de 2005, o lucro líquido foi de R$ 177,2 milhões, 58% menor do que os R$ 423,1 milhões obtidos no mesmo perído de 2004, quando foi recorde.
No ano, o lucro da Aracruz foi de R$ 1,16 bilhão, alta de 9%. A empresa bateu recorde de produção (2,8 milhões de toneladas, com a incorporação de metade da produção da Veracel, sua coligada) e de vendas (2,6 milhões de toneladas), alta de 12% e 6%, respectivamente. A receita líquida caiu 5%, para R$ 3,25 bilhões.
O câmbio tem sido apontado por analistas como o principal entrave para a melhora nas ações da companhia. O Citigroup retirou a Aracruz de sua lista de recomendações para investimentos em ações de empresas brasileiras.
Com as operações derivativas, a Aracruz apresentou ganho de R$ 76,5 milhões no ano passado. Com esse resultado, a empresa baixou o custo caixa médio, um indicador usado pelo mercado financeiro para medir a eficiência da empresa, em R$ 30 por tonelada, de R$ 403 (US$ 165) para R$ 373 (US$ 154).
O diretor financeiro afirmou que o sistema de proteção cambial, aprovado pelo conselho da Aracruz na metade do ano passado, permitirá ganhos maiores ao longo de 2006. O executivo salientou que a valorização do real é resultado do " sucesso do país " por conta da entrada de dólares, mas criticou a falta de uma política clara para o câmbio.
Afirmou que a política de intervenção do BC vem criando alta volatilidade na taxa cambial. " Com o BC, o câmbio sai de uma hora para outra de R$ 2,38 para R$ 2,16 " , disse. Em 2005, o real valorizou-se, em média, 19% em relação ao dólar. Para este ano, a Aracruz trabalha, em seu orçamento, com um dólar a R$ 2,35.
A Aracruz anunciou também um investimento de US$ 200 milhões na modernização de suas fábricas. A empresa estuda ainda a construção de uma nova unidade, que vem sendo disputada pelo Espírito Santo, Bahia e Rio Grande do Sul, e a duplicação da Veracel. Mas os projetos dependem ainda da aprovação do conselho de administração da companhia.
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