Pescado brasileiro 'voa' para chegar à Europa em 24 horas José Rodrigues |
Colocar o peixe bijupirá em um supermercado de Paris apenas 24 horas depois dele ser capturado em um tanque de criação no litoral brasileiro é uma das metas atuais da Nesse sentido, a empresa criou o Projeto Bijupirá Brasil, desenvolvido atualmente em duas frentes - uma mais adiantada na região da Ilha Comprida (SP) e outra em Salvador (BA) -, e está investindo mais de US$ 12 milhões para explorar um segmento de mercado que já rende a países como Chile e China alguns bilhões de dólares por ano. As instalações de Ilha Comprida, no litoral sul paulista, já contam com um laboratório e a imersão de um tanque de 4 mil metros cúbicos. O projeto prevê uma capacidade total de 30 metros cúbicos, para o desenvolvimento das crias do bijupirá, que podem alcançar seis quilos em um prazo de oito a 12 meses. Considerado um peixe de carne saborosa, o bijupirá, comum - mas não abundante -na costa brasileira, chega a atingir dois metros e 40 quilos. Em seu ambiente natural, se alimenta de outros peixes, crustáceos e lulas. "Estamos como um avião na cabeceira da pista com as turbinas aceleradas", afirma Reinaldo Pinto dos Santos, presidente da TWB, para definir o estágio do projeto liderado pela empresa. A expectativa de Santos é obter de US$ 8 a US$ 10 por tonelada do produto, que concorre com pescados como pargo e linguado. Confirmada a expectativa, o executivo estima faturar entre US$ 40 milhões a US$ 50 milhões por ano quando o novo negócio estiver a pleno vapor. A meta é chegar a uma produção anual de 5 mil toneladas em até quatro anos na Ilha Comprida. Em Salvador, onde o prazo de maturação do investimento é mais longo, o volume previsto é semelhante. "Ao contrário da pesca em alto mar, com os tanques podemos programar os embarques do bijupirá, fechar vôos com 50 toneladas e acelerar a entrega, de modo que o peixe chegue em outro continente em 24 horas, ainda fresco", diz o presidente da TWB. Segundo Romeu Porto Daros, gerente-geral do Projeto Bijupirá Brasil - que tem o apoio da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (SEAP) do governo federal -, a Universidade de Miami, referência em ciências do mar, está enviando técnicos para concretizar a transferência de tecnologia no trato com o bijupirá. Conhecido no mercado americano como cobia, o bijupirá (Rachycentron canadum) poderá ser exportado inteiro fresco, eviscerado ou em filé, com ou sem couro. Santos adianta que as vendas inicialmente serão destinadas ao mercado francês, que será usado como porta de entrada para a Europa. Outro mercado preferencial são os próprios EUA, neste caso com apoio comercial também da Universidade de Miami. Para o executivo, o potencial do pescado produzido em fazendas marinhas tende, no longo prazo, a rivalizar com o da soja. "O Chile fatura US$ 5 bilhões por ano com esse produto; a China, outros US$ 40 bilhões", garante. Conforme a SEAP, o Projeto Bijupirá Brasil é o primeiro no país a promover a criação da espécie em tanques, em um sistema conhecido como maricultura (aqüicultura envolvendo espécies marinhas). Esse sistema de produção inclui, por exemplo, os projetos de camarão no Nordeste, responsáveis pelo aumento das exportações brasileiras. Hoje, a pesca em alto-mar do bijupirá na costa do país está voltada ao abastecimento do mercado interno e o Brasil não exporta regularmente a carne do pescado. Ainda de acordo com a secretaria, o bijupirá é considerada uma espécie "cosmopolita", já que pode ser encontrada em praticamente todos os oceanos. Com pouco mais de dez anos de existência, a brasileira TWB, com sede em Guarujá (SP), atua nos segmentos de construção naval e transporte de passageiros (travessias litorâneas) no litoral do país. O faturamento do grupo foi estimado em R$ 100 milhões em 2005. Para este ano, a previsão é alcançar R$ 140 milhões. (Colaborou Fernando Lopes, de São Paulo) |
Pescado brasileiro 'voa' para chegar à Europa em 24 horas
13/01/2006