Indústria veterinária prevê alta de 6% a 8% nas vendas

20/01/2006

Indústria veterinária prevê alta de 6% a 8% nas vendas

Cibelle Bouças

 

Após registrar crescimento de 7,5% em 2005 com o aumento de vendas para pecuária bovina, as indústrias de saúde animal projetam para 2006 novo avanço entre 6% e 8%. A alta será impulsionada pela maior demanda nos setores de suínos e aves e pela perspectiva de recuperação econômica na pecuária bovina, segundo o Sindicato Nacional da Industria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).

Em 2005, o setor registrou receita de R$ 2,212 bilhões, ante R$ 2,058 bilhões em 2004. Emílio Salani, presidente do Sindan, diz que os baixos preços da arroba do boi durante o ano passado esfriaram a demanda por produtos veterinários e, em conseqüência, houve uma briga mais acirrada por preços, o que afetou a receita do setor.

Em compensação, segundo ele, o surgimento dos focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e Paraná estimulou as vendas de vacinas contra a doença - carro-chefe do setor (ver gráfico). "Alguns Estados adiantaram a vacinação e, de modo geral, houve maior procura para evitar outros casos", afirma.

Salani diz que, com o controle dos focos de aftosa no Mato Grosso do Sul e Paraná, a tendência é normalizar a demanda, para cerca de 340 milhões de doses. Antonio Romano, gerente nacional de vendas da Intervet (do grupo alemão Akzo Nobel), concorda que a tendência é de acomodação do mercado após a corrida desenfreada pelas vacinas em 2005. A empresa, uma das seis fornecedoras da vacina no Brasil, espera para 2006 crescimento em seus negócios de 10%.

A Schering-Plough, terceira maior companhia do setor no país, com participação de mercado de 8,7%, projeta para este ano crescimento de 13% a 14%, impulsionado pelo lançamento de novos itens e pela expansão das vendas de produtos para suínos e aves.

Conforme Fernando Vasconcelos Heiderich, diretor presidente da empresa, as previsões de inflação entre 4% e 5% neste ano e de câmbio abaixo de R$ 2,50 devem impedir reajustes de preços e segurar o crescimento do mercado em 6%. "Houve de fato uma disputa maior de mercado por preços. A queda na renda tornou o setor pecuário mais sensível a preços".

Ele estima que o mercado comercializará entre 350 milhões e 355 milhões de doses de vacinas contra aftosa. "O criador se assustou com a volta da aftosa e correu para vacinar. Agora as vendas tendem baixar, mas nem tanto porque o produtor está mais cuidadoso", diz. A Schering-Plough vendeu 70 milhões de doses de vacinas contra aftosa em 2005.

De acordo com o Sindan, os produtos voltados para bovinos cresceram 12,5% em 2005, para R$ 1,287 bilhão - que equivale a 58% do faturamento das indústrias no período. Salani observou que a aftosa também estimulou as vendas de outros itens, como vacinas contra raiva e brucelose. As vendas de vacinas anti-rábicas, cresceram 40% no ano, para 113,5 milhões de doses, quando a meta eram 81 mil.