Missão européia chega ao Brasil

23/01/2006

Missão européia chega ao Brasil

Fernando Itokazu

 

BRASÍLIA – O Brasil recebe hoje uma missão da União Européia para apresentar as medidas tomadas no combate à febre aftosa, mas ainda não conseguiu terminar o procedimento básico. O sacrifício de todos os animais de um foco é a primeira exigência da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para que um Estado consiga reaver seu status sanitário em seis meses. Uma disputa judicial impede o sacrifício de cerca de 1,8 mil animais da Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira, no Paraná.

O dono e gerente da Cachoeira, André Carioba, obteve uma liminar que impede o sacrifício em sua propriedade até que haja comprovação de que os animais da fazenda estão infectados. O Ministério da Agricultura confirmou a doença no Estado em 6 de dezembro, a partir de laudos soropositivos de sangue e por evidências epidemiológicas, mas testes que isolam o vírus deram resultado negativo.

O coordenador-geral de combate às doenças do ministério, Jamil Souza, disse que a expectativa era que houvesse rapidez no processo de sacrifício e lamentou que, pela primeira vez, o assunto seja decidido na Justiça. “É um complicador. Não sabemos como será a reação [dos compradores] quando for colocada essa questão”, afirmou Souza. “Dentro do Código Sanitário de Animais Terrestres, uma das coisas que mais se tenta preservar é o serviço veterinário”.

DIVERGÊNCIA – Ricardo Jorge Rocha Pereira, advogado do proprietário da Cachoeira, afirmou que a União precisa enviar até esta terça-feira provas de que houve aftosa no Estado. Após o prazo, o juiz examinará o processo e se manifestará. O diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Jorge Caetano, afirmou que já foram enviados laudos laboratoriais e lamentou o episódio. “É lógico que essa divergência não é boa”, disse.

Procurado, o diretor de Defesa Agropecuária do Paraná, Felisberto Baptista, não quis se manifestar sobre o assunto. A situação poderia ser pior. Até o final da semana passada, também havia uma disputa judicial em Mato Grosso do Sul, onde o primeiro foco de aftosa foi anunciado em 10 de outubro. O fim do abate (cerca de mil cabeças) aconteceria no fim de semana.

A Associação Brasileira de Exportadores de Carne (Abiec) diz que a reação dos europeus não deve ser problema. “Serão analisados apenas aspectos técnicos. Isso pode retardar um pouco a reabertura dos mercados, mas não tem nada a ver”, afirmou o diretor-executivo da Abiec, Antonio Camardelli. Após os registros de aftosa, a UE suspendeu as importações de carne de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Além da União Européia, outros 27 países adotaram embargos a produtos brasileiros.