Múltis cobiçam esmagadoras na China

30/01/2006

Múltis cobiçam esmagadoras na China

 

 

A Bunge Ltd., a maior processadora mundial de oleaginosas, está capitaneando a investida das empresas estrangeiras na compra de unidades de esmagamento de soja na China, onde a demanda por ração está crescendo em vista do aumento do consumo de carne pela população.

A Bunge formalizou a compra de duas fábricas nos últimos sete meses. A divisão de trading da Archer Daniels Midland Co. comprou uma participação numa processadora do sul em outubro do ano passado. Chen Tao, representante da Louis Dreyfus & Cie. na China, disse que sua empresa está estudando a possibilidade de construir uma unidade de esmagamento no país.

Os compradores estão se beneficiando com a desaceleração do nível de atividade das fábricas chinesas produtoras de farelo de soja, que pode ser empregada como ração animal. Os lucros gerados pelo esmagamento caíram no ano passado devido ao excesso de capacidade e à queda da demanda por aves alimentadas por rações à base de soja depois da ocorrência de surtos de gripe aviária. As processadoras de soja da China têm capacidade anual para esmagar mais de 70 milhões de toneladas de soja.

"As empresas estrangeiras não vão necessariamente se sair melhor do que as nacionais", disse Henry Wang, gerente-geral da Bunge Ltd. na China, no último dia 15 de janeiro. "Elas precisam entender totalmente a situação e as particularidades do mercado chinês".

O receio gerado pela gripe aviária, que matou 7 das 10 pessoas contaminadas na China, levou ao sacrifício de mais de 21 milhões de aves no país em 2005, reduzindo a demanda por ração e deprimindo a cotação dos contratos futuros de farelo de soja em 7,4% na Bolsa de Dalian nos últimos seis meses. Os contratos de soja caíram 8,4%.

Embora a crise da gripe aviária tenha comprometido os preços, o aumento dos salários está possibilitando a compra de carne por um número maior de consumidores e elevando, no longo prazo, a demanda por ração para frangos e porcos. As importações de soja pela China vão crescer 40%, para quase 35 milhões de toneladas, nos próximos cinco anos, prevê a Bunge.

"O ano de 2006 será de fusões, aquisições e concentração de capital", disse Li Xuansheng, vice-gerente-geral da East Ocean Oils & Grains Co., em conferência realizada em Xangai no último dia 15. "O consumo de carne como fonte de proteínas está aumentando com o aquecimento da nossa economia".

A Dalian Huanong Group Ltd., localizada no nordeste da China, formalizou a venda de participações numa fábrica para a Cargill Inc., disse Ding Xiquan, presidente-executivo da Dalian Huanong, no mês passado. Catherine Zhang, porta-voz da Cargill em Pequim, preferiu não comentar o negócio.

Ao mesmo tempo, a empresa de capital fechado Dalian Huanong formalizou em 2005 a venda de 30% de sua fábrica de Zhanjiang à Toepfer International, divisão da ADM. A Bunge concordou formalmente, em janeiro, comprar uma unidade de soja na cidade de Nanquim, depois de adquirir uma fábrica em Rizhao, em julho de 2005.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 12)(Bloomberg News)