Avicultura baiana livre de doenças
O setor avícola do Estado atinge nível de excelência no controle de zoonoses e prepara-se para ampliar exportações
Patrícia França
Segundo maior produtor de frango do Nordeste, perdendo apenas para Pernambuco, a Bahia já responde pelo abate anual de 70 milhões de aves e em 2005 concretizou o primeiro contrato de exportação, com o embarque de 600 toneladas (20 contêineres) de cortes para Hong Kong.
Pouco para um Estado que tem potencial para aumentar sua participação no mercado externo e que já cumpriu todas as exigências necessárias para ser considerado, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, como zona livre das doenças de New Castle.
A inclusão da Bahia na zona livre dessas doenças abre os mercados internacionais para os produtos avícolas baianos e cria uma espécie de blindagem para o setor não ficar vulnerável a eventuais focos isolados em território nacional, como ocorreu recentemente com a febre aftosa.
A conquista dessa espécie de passaporte, coloca o setor avícola baiano em condições de igualdade com o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal – Estados credenciados para exportar carne de frango para mercados sofisticados e exigentes, como o europeu e o Japão.
MONITORAMENTO – O controle da New Castle é uma exigência sanitária da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para exportadores de carne avícola. Na Bahia, a doença vem sendo monitorada rigorosamente desde 2004 pela Agência de Defesa Agropecuária (Adab), que acompanha 693 estabelecimentos avícolas, todos cadastrados e georeferenciados.
No ano passado, foram realizadas 1.207 visitas a criatórios e abatedouros frigoríficos, não sendo identificada a presença de qualquer enfermidade.
“Várias coletas de material foram feitas e todas comprovaram a ausência do vírus causador da Newcastle. Agora, estamos no aguardo de o Ministério da Agricultura inserir a Bahia entre os Estados aptos a exportar aves”, disse o diretor de Defesa Sanitária Animal da agência, Iram Ferrão, cujo órgão reforçou em janeiro, no Ministério da Agricultura, o pedido de inclusão da Bahia na zona de livre da doença.
Em Brasília, o fiscal federal agropecuário Luís Cáudio Coelho, lotado na coordenação de Sanidade Animal do ministério, informou que estão sendo avaliados os pleitos da Bahia, Espírito Santo, Tocantins, Sergipe e Rondônia.
A Bahia também foi incluída no estudo de vigilância ativa para a Influenza Aviária (mais conhecida como gripe aviária) – enfermidade que ainda não atingiu o Brasil, mas que, diante de ocorrências em países asiáticos, também começa a ser monitorada internamente.
O baiano Iram Ferrão encaminhou, até agora, um total de 23.116 amostras para o Laboratório Nacional de Referência Animal de Campinas, único reconhecido pelo governo federal para as análises de New Castle. Os exames são feitos semestralmente com base em material sorológico e de swap (retirada da cloaca e traquéia da ave).
LABORATÓRIO – No final do ano passado, a Bahia ganhou um importante reforço no controle de outras doenças que comprometem a produtividade avícola, com a inauguração do Laboratório de Sanidade Avícola, ligado à Faculdade de Veterinária da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
O laboratório é o primeiro do Norte-Nordeste credenciado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e está capacitado para diagnóstico de microplasmose (doença causada por uma bactéria que afeta o sistema respiratório da ave) e a salmonelose aviária (que afeta os aparelhos digestivo e respiratório). Doenças que são transmitidas da galinha para o pintinho.
A coordenadora do laboratório e professora de doenças de aves e avicultura, Lia Fernandes Régis, acredita que o laboratório representa um ganho direto para a indústria avícola baiana e nordestina, porque não será mais necessário enviar as amostras para centros de diagnóstico do Sul do País.
Em termos de controle epidemiológico, a professora explicou que agora, com as análises catalogadas no próprio Estado, será possível mapear com exatidão as ocorrências e prevalências dessas doenças. “Trabalho que é essencial para o monitoramento e desenvolvimento de programas de controle e prevenção”.