Manga, caju, açaí. O sabor do Brasil vai à Alemanha
Empresas participam da maior feira de alimentos orgânicos do mundo
Manga, caju, açaí, cupuaçu e melancia. Nomes que os consumidores alemães têm dificuldade de pronunciar, mas devem ficar cada vez mais populares no país, pelo menos no que depender da delegação de 50 empresas brasileiras que participa a partir de hoje da Biofach, a maior feira de alimentos orgânicos do mundo, em Nuremberg. Entre os latino-americanos, o Brasil terá a maior delegação do evento, que vai até o dia 19, de acordo com a organização.
A fruticultura brasileira está em peso na Biofach. Entre os 50 expositores do Brasil, 18 estão ligados à produção de frutas e a tudo o que se pode extrair delas, como sucos (naturais e processados), polpas congeladas, geléias e barras energéticas. Com a boa participação do segmento, cresce também a importância de regiões do País normalmente não associadas ao boom do agronegócio, especialmente o Rio de Janeiro e os Estados do Nordeste, o que também significa mais espaço para a agricultura familiar.
Um exemplo dessa tendência é a EcoOrgânica, cooperativa que reúne 118 pequenos agricultores de Pernambuco que fabricam doces, geléias, frutas secas, condimentos e chás produzidos sem agrotóxicos. Uma das ferramentas de marketing da EcoOrgânica na Europa é o conceito de "fair trade" (comércio justo). A cooperativa argumenta que, além da produção 100% orgânica, a compra de seus produtos auxilia a distribuição de renda no País, evitando o deslocamento de famílias de agricultores para os grandes centros urbanos brasileiros.
Uma característica do setor de orgânicos é a convivência de empresas de médio e grande portes - como a Nutrimental, de São José dos Pinhais (PR) - com negócios que surgiram de atividades familiares e agora começam a se profissionalizar e a buscar o mercado externo (caso de alguns fabricantes de cachaça que estarão presentes na feira). Além de frutas, barras de cereais e cachaça, o Brasil vai expor produtos como açúcar, chocolate, café, erva-mate, carne, pescado e mel.
Entre os pequenos produtores presentes na feira já é possível notar um crescente grau de profissionalização. A maioria das 50 empresas que representam o Brasil tem site na internet e alguns prepararam materiais em inglês e alemão, facilitando a comunicação com empresas interessadas em produtos brasileiros.