Seca compromete safra do oeste

20/02/2006

Seca compromete safra do oeste

A redução do volume das chuvas prejudicou principalmente a produção de soja, milho, arroz, mandioca e feijão

MIRIAM HERMES
  

Barreiras (Sucursal Regional Oeste) – A redução do volume de chuvas derrubou a previsão de safra agrícola para o oeste baiano uma das principais regiões produtoras de grãos do País. A produção de soja, por exemplo, terá uma queda de 26%. No milho, a redução deve chegar a 74%. Na cultura do arroz, as perdas devem ser ainda mais expressivas: 89%.

O levantamento foi feito entre os dias 9 e 11 de fevereiro por três equipes técnicas que percorreram as regiões produtoras do cerrado.

O método utilizado baseou-se em questionários padronizados referentes a questões como a duração do veranico, pluviosidade ocorrida até o início da estiagem, bem como o histórico das áreas avaliadas, perspectiva de colheita no presente momento e os percentuais de perdas por microrregiões.

De acordo com o assessor de agronegócios da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Ivanir Maia, além da chuva não ter chegado na proporção que era esperada, ela foi muito irregular, variando de uma para outra microrregião.

“Por isso, em alguns casos específicos, não houve perda alguma até agora, principalmente na cultura do algodão”, explica Maia, acrescentando que, em contrapartida, em outros setores, as perdas chegaram a 91%. É o caso, por exemplo, do milho produzido na região da Estrada do Café, que abrange os municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e Riachão das Neves.

As chuvas que vêm caindo na região nos últimos dias, segundo os técnicos, estão normalizando a situação e abrangem os principais pontos produtores. Para Maia, se as chuvas continuarem regularizadas, o algodão vai ter boa recuperação, bem como a soja, que tem a chance de minimizar as perdas.

PRAGAS – Além da quebra da safra, a estiagem prolongada favoreceu também o aparecimento de pragas, sendo maior a incidências de lagartas. Entidades representativas dos produtores, como a própria Aiba e os sindicatos rurais de toda a região, estão contatando autoridades regionais, estaduais e federais em busca de soluções.

Para a deputada estadual Jusmari Oliveira (PFL), além da gravidade da seca no cerrado – onde existem grandes propriedades rurais – devido ao impacto na economia regional e às conseqüentes demissões, “é preciso que sejam promovidas ações especiais também no vale”.

Ela enfatiza que grande parte dos trabalhadores demitidos no cerrado volta para suas casas nos vales, onde já não existem mais perspectivas de alguma produção. “Só no ano que vem. Então, apesar de termos uma só região, temos duas realidades distintas, que têm de ser tratadas separadamente”, disse.

Como presidente da Comissão de Agricultura da Assembléia Legislativa, Jusmari Oliveira está propondo uma audiência pública para discutir o problema e reforçar um convite para que o secretário estadual da Agricultura, Pedro Barbosa de Deus, visite a região e engrosse a frente de pessoas que buscam minimizar os efeitos da estiagem com ações preventivas para os próximos anos.

Culturas afetadas

Produto Área Produção esperada Produção estimada Perdas
(em ha) (em toneladas) (em ton) (em %)

Arroz 8.397 8.980 987,8 89
Feijão 10.138 10.635 1.861,12 82,5
Milho 33.818 104.931 27.282,06 74
Mandioca 13.268 158.715 107.926,20 32
Cana-de-açúcar 4.568 221.564 183.898,12 17
Pastagem 450.050 4.950.550 3.217.857,50 35
Fonte: EBDA