Seca reduz previsão para safra em 2006
PEDRO SOARES
A estiagem prolongada na Bahia, em Minas Gerais e em Mato Grosso do Sul provocou a queda de 1,7% na estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para a safra de grãos de 2006, que passou de 126,1 milhões de toneladas em janeiro para 123,9 milhões em fevereiro.
A seca nesses três Estados afetou especialmente as projeções para as primeiras safras de milho (-3,84%) e feijão (-10,34%). Apesar da quebra das estimativas, a colheita deste ano ainda será 10,2% maior do que a de 2005 -112,4 milhões de toneladas.
O incremento está assegurado, segundo o IBGE, graças à recuperação das lavouras da região Sul, afetadas em 2005 por uma das maiores secas da história.
Sem o efeito da estiagem, o Rio Grande do Sul deve registrar aumento de 261,7% na safra de milho e de 237,07% na de soja. "O que está acontecendo é uma recuperação das áreas plantadas depois da seca do ano passado, que reduziu em muito a produtividade das lavouras", afirmou Neuton Alves Rocha, gerente do levantamento de safra do IBGE.
Inicialmente, porém, o IBGE previa um ano melhor para a agricultura do país. Ao final de 2005, o instituto havia estimado uma colheita de 129 milhões de toneladas de grãos em seu primeiro prognóstico para a safra de 2006, com base apenas na área plantada.
Nas estimativas divulgadas em janeiro e fevereiro, o IBGE já considera alguns resultados da colheita.
Pela estimativa do IBGE, crescerão neste ano as safras de verão de milho (19,58%), de soja (11,65%), de feijão (20,18%) e a cultura de inverno do trigo (4,64%), além da segunda safra de milho (25,16%) e de feijão (9,89%) -que só não terá um ano melhor por causa da estiagem na Bahia.
Por outro lado, algumas lavouras registrarão quebra de safra, como arroz (-14,53%) e algodão herbáceo (-2,39%).
Para a soja, carro-chefe do agronegócio brasileiro, o IBGE projeta uma safra de 57,1 milhões de toneladas, com recuperação das lavouras dos Estados do Sul, mas quebra no maior produtor do país, Mato Grosso (-1,50%), e na Bahia (-17,39%), uma nova fronteira agrícola do grão que foi atingida pela estiagem neste verão.