Interesse do agronegócio se sobrepõe ao ambiental
O Brasil vai defender a aplicação da expressão "pode conter" para os organismos vivos modificados (OVMs) no comércio internacional durante a 3ª Reunião da Conferência das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, que começa hoje, em Curitiba. O governo brasileiro ainda não tem uma posição oficial sobre o tema, mas deverá manter a postura adotada na reunião realizada no Canadá, no ano passado, segundo informações de bastidores.
Se o País adotar de fato a posição "pode conter", será uma vitória do agronegócio sobre os ambientalistas, que defendem a posição "contém". Os defensores do "pode conter" argumentam que a opção "contém" implicaria em mais despesas com exames de transgenia e segregação dos produtos, além de ser barreira não-tarifária às exportações.
Ao defender a posição "pode conter", o Brasil se confronta com seu maior cliente de produtos agrícolas: a União Européia. Há temor de que o País perca mercado, principalmente, nas exportações de soja, pois a União Européia vem sendo cada vez mais radical no tratamento da questão. Entre os grandes exportadores mundiais, apenas o Brasil é signatário do protocolo. Um acordo entre as partes integrantes do protocolo só poderá ser feito por unanimidade entre os países signatários.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 14)(Norberto Staviski)