País testa vacina anti-H5N1 em julho
Produção de doses a serem testadas em voluntários começa este mês
O secretário nacional de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, anunciou ontem que o Brasil pretende testar em seres humanos, a partir de julho, uma vacina contra o H5N1 — o vírus causador da gripe de aves que se dissemina pelo mundo. A produção em caráter experimental do imunizante começa no fim deste mês.
Serão produzidas, inicialmente, 20 mil doses, a serem testadas até agosto num grupo de voluntários selecionados pelo Instituto Butantan, de São Paulo. Barbosa afirmou que a vacina é feita a partir do vírus inativo e, por isso, não oferecerá risco para as pessoas que participarem do teste.
— Queremos verificar se a vacina induzirá uma resposta imune nas pessoas — explicou Barbosa, que esteve ontem no Rio para participar de um fórum sobre a gripe aviária na Academia Nacional de Medicina, onde o ministro da Saúde, Saraiva Felipe, tomou posse como vice-presidente honorário.
Mesmo que a vacina induza a produção de anticorpos, ela não necessariamente será usada em caso de uma pandemia entre seres humanos. Os especialistas sustentam que, para uma epidemia global eclodir, o vírus terá que sofrer uma mutação que o torne transmissível entre humanos — atualmente, todas as pessoas que contraíram o H5N1 foram infectadas por meio do contato com aves doentes.
Por isso, uma vacina para proteger a população de uma pandemia só poderia ser produzida depois que se tiver acesso à cepa exata do vírus que a está causando.
— No entanto, se o vírus não ficar muito diferente e se essa vacina que vamos produzir conseguir induzir uma resposta imune poderíamos usá-la para formar um estoque estratégico — contou Barbosa.
A idéia de produzir um estoque estratégico seria proteger, num primeiro momento, às pessoas mais vulneráveis, como os profissionais de saúde, os muito idosos e as crianças.
O teste com o novo imunizante (a cepa foi enviada pela Organização Mundial de Saúde) avaliará também quantas doses da vacina serão necessárias para induzir a produção de anticorpos.
Israel tem dois casos suspeitos em perus
Barbosa disse que não é possível estimar quando a gripe das aves chegaria ao país. Mas, se isso ocorrer, afirmou, o mais provável é que seja por meio de aves migratórias.
— Nesse caso, a principal medida seria impedir que contamine as criações de aves — disse.
Outra possível, embora improvável, fonte de entrada do vírus seria por meio de alimentos trazidos ilegalmente em bagagens de passageiros. Barbosa lembrou que os principais aeroportos do país já estão adquirindo aparelhos capazes de detectar material biológico.
Ontem, Mianmar, Afeganistão, Índia, Malásia e Dinamarca confirmaram focos da gripe. Israel detectou dois casos suspeitos em perus.