Área agrícola prejudica resultados da gaúcha Avipal

21/03/2006

Área agrícola prejudica resultados da gaúcha Avipal

Sérgio Bueno

 

O grupo gaúcho Avipal, com sede em Porto Alegre, encerrou 2005 com vendas brutas de R$ 2,26 bilhões, queda de 0,8% na comparação com o ano anterior.

A empresa creditou grande parte da retração a efeitos negativos do câmbio no segmento de grãos, onde o faturamento recuou de R$ 234,9 milhões para R$ 17,5 milhões na mesma comparação em consequência do menor volume de produto excedente para a comercialização.

Na linha de carnes, a receita bruta cresceu 7,6%, para R$ 1,11 bilhão, mas foi superada pelos negócios com lácteos, que avançaram 11,9% e totalizaram R$ 1,13 bilhão. A receita líquida consolidada registrou alta de 1,8% e alcançou R$ 1,94 bilhão.

Os números foram divulgados ontem pela companhia, que reportou um lucro líquido de R$ 18,5 milhões no ano passado. Segundo o relatório de administração que acompanha os resultados, em 2004 o lucro havia sido de R$ 41,5 milhões, mas em agosto de 2005 o balanço do exercício anterior havia sido republicado espontaneamente pela Avipal com um prejuízo de R$ 163,8 milhões em função de "ajustes não recorrentes" - entre os quais uma reversão de créditos tributários e perdas de processos relativos ao recolhimento de ICMS.

O relatório de administração também indica números divergentes sobre o resultado financeiro líquido: R$ 7,4 milhões negativos em 2005, ante R$ 35,7 milhões negativos em 2004. Já a demonstração de resultados consolidada aponta uma despesa financeira líquida de R$ 4,9 milhões, ante R$ 114,8 milhões também negativos no ano anterior. Nenhum diretor da Avipal estava disponível ontem para falar sobre o desempenho de 2005.

Conforme o documento, em 2005 a Avipal captou um volume recorde de 841,5 milhões de litros de leite - 17,3% a mais do que no ano anterior -, alcançou a liderança no segmento de produtos longa vida na grande São Paulo. A empresa também diz que ampliou a vantagem sobre os concorrentes em todo o país. As exportações de lácteos também subiram, de US$ 7,6 milhões para US$ 17,4 milhões, sendo 89% por conta das vendas de leite em pó.

No segmento de carnes, as vendas externas cresceram 52,4% na linha de aves, para US$ 239,4 milhões, e 67,2% na de suínos, para US$ 59,2 milhões. O foco nas exportações aumentou os volumes embarcados em 16,3%, para 210,3 mil toneladas, enquanto as vendas domésticas recuaram 18,5%, para 144,5 mil toneladas, incluindo os produtos industrializados, de maior valor agregado, que apresentaram alta de 17,1% e totalizaram 26,9 mil toneladas.

Para 2006, a Avipal vê perspectivas "bastante promissoras" para o setor de lácteos. Já no segmento de carnes, afirma que está "acompanhando atentamente" as dificuldades com o avanço da gripe aviária na Europa, que vem provocando queda nas exportações e levou a empresa a programar férias coletivas em abril para 6 mil funcionários dos frigoríficos de Porto Alegre e Lajeado, no Rio Grande do Sul, e de Dourados, no Mato Grosso do Sul.