MS conclui sacrifício de gado contaminado com febre aftosa

25/04/2006

MS conclui sacrifício de gado contaminado com febre aftosa

 

 

O governo do Mato Grosso do Sul terminou neste final de semana o abate de 354 animais da Fazenda Medianeira III, de Japorã, onde foi confirmado foco de febre aftosa. "O abate foi rápido e vamos colocar animais sentinela ainda nesta semana", diz João Cavalléro, diretor-presidente da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), órgão ligado ao governo do Mato Grosso do Sul.

No sábado foram abatidos 137 animais da propriedade interditada e no domingo, 205 bovinos que tiveram contato com os doentes. Desde outubro do ano passado, o estado detectou 21 focos, sacrificou 33.741 animais e perdeu R$ 120 milhões em ICMS, informou o governador Zeca do PT.

Com a instalação dos animais sentinela, a área infectada por ser liberada para comercialização em seis meses, segundo regras da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

A confirmação do foco frustou as expectativas de criadores, frigoríficos e exportadores de que o embargo às carnes brasileiras chegasse ao fim. Desde a descoberta do primeiro foco, em outubro do ano passado, cerca de 50 países embargaram as compras de carne do Brasil.

"Tudo indica que o relógio voltou ao ponto zero", declarou o presidente do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC), Sebastião Guedes.

Na sexta-feira, o Chile decidiu manter o embargo ao Brasil após o anúncio do foco de aftosa no Mato Grosso do Sul. "Nossa decisão técnica, adotada em outubro do ano passado, de suspender totalmente a entrada no Chile de carnes bovinas procedentes do Brasil foi acertada", disse Francisco Bahamonde, diretor do Serviço Agrícola e de Criação de Gado chileno (SAG).

No final de semana o Paraguai voltou a fechar a fronteira com o Brasil e o governo do Rio Grande do Sul anunciou que reforçou a vigilância na fronteira com Santa Catarina.

O reaparecimento da doença na área interditada era uma possibilidade, advertiu Cavalléro, do Iagro. "Mantemos a equipe de vigilância porque o risco de um novo foco era iminente". Ele informa que a reincidência da doença faz parte do processo de erradicação e não se trata de um retrocesso.As providências para a erradicação do foco de febre aftosa devem ser enérgicas e rápidas, segundo recomendação da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne (Abiec). Os exportadores aguardavam a concretização da promessa feita pelo governo da Rússia de pôr fim ao embargo imposto a Santa Catarina. Até agora, apenas a produção do Rio Grande do Sul foi liberada. O embargo russo causa pesados prejuízos ao Paraná e a Santa Catarina, onde se concentra a produção de suínos. Como a Rússia é a maior importador de carne suína brasileira, as perdas dos produtores daqueles estados são expressivas.

Sebastião Guedes não concorda com a estratégia adotada no Mato Grosso do Sul para a erradicação da aftosa. Para ele, o método deveria ser semelhante ao adotado pela Argentina, em que, depois da matança dos rebanhos contaminados, se providenciaria a vacinação dos remanescentes na área afetada. Por esse processo, segundo afirmou, seriam necessários 18 meses, até a liberalização da área. "Mas, pelo menos, não haveria o risco de novos focos na região".

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 12)(Lucia Kassai, Isabel Dias de Aguiar e EFE)