Exportação de fumo cresce no brasil

09/05/2006

Exportação de fumo cresce no brasil

 

 

A exportação brasileira de fumo vem crescendo desde o ano 2000 saindo de 353 mil toneladas para 593 mil toneladas em 2004, um crescimento de cerca de 68%. Esse aumento é explicado pela menor demanda de fumo pelos produtores nacionais de cigarro devido à mudança de hábito e ao esclarecimento dos riscos associados ao consumo do produto pela população. O preço médio do fumo, exportado em dólar, também apresenta um crescimento no período, passando de R$ 5,77/dólar em 2000 para R$ 8,37/dólar em 2004, um aumento de 45%.

O plantio do fumo é uma cultura familiar, o número de famílias produtoras mais do que dobrou nos últimos 20 anos: de 94.840 em 1980, para 198.040 em 2004. O número de hectares plantados também apresentou um aumento significativo: 157%, passando de 171.080, em 1980, para 439.220, em 2004. A produção de fumo, que no início da década de 80 era 286.090 toneladas, em 2004 atingiu 842.990.

O combate ao contrabando de cigarros tem beneficiado as pequenas indústrias locais que recorrem à justiça para não pagar todos os impostos e por isso podem cobrar preços 30% menores que os cigarros mais baratos da Souza Cruz. O grande vilão da produção de cigarros no Brasil é o imposto, que leva em torno de 65% da receita bruta.

A melhoria da renda da população, com o salário mínimo em R$ 350 e o reajuste da tabela do Imposto de Renda em 8%, deve impulsionar o consumo de cigarros no mercado doméstico.

Tomando a Souza Cruz como exemplo, a distribuição de dividendos, que sempre foi o maior atrativo da empresa, vem sendo afetada pela apreciação do real, pois além do impacto nas exportações, a empresa costuma registrar uma conta maior de Imposto de Renda. Com isso, o lucro líquido é afetado, prejudicando a distribuição de proventos. O dividendo preço projetado para 2006 de 6,9% é inferior ao padrão histórico da empresa, acima de 10%, em média, nos últimos 10 anos.

Tudo leva a crer que a perspectiva de crescimento é limitada, pois a demanda permanece estacionada e o projeto de exportação de fumo continua gerando uma rentabilidade aquém da desejável em função da forte apreciação do real nos últimos 12 meses.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Alexandre Garcia - Analista do setor de Consumo da Agora Sênior CTVM.)