A Bahia é o segundo produtor de tabaco do Nordeste, perdendo para Alagoas, e sua produção representa apenas 1% da pauta de exportações brasileiras. Mas a atividade fumageira é marcante no Estado.
São 36 municípios produtores e mais de 100 mil pessoas envolvidas, direta e indiretamente, das quais 15 mil lavradores. As principais regiões produtoras são Cruz das Almas, Alagoinhas e Feira de Santana.
Anualmente, entre US$ 30 milhões e US$ 40 milhões são movimentados na compra e beneficiamento de folhas de fumo, incluindo pagamento de mão-de-obra. O fumo ocupou, em 2004, a 9ª posição na pauta de exportações do agronegócio baiano, com US$ 16,7 milhões. Diferente dos principais produtos do setor, o tabaco não é cultivado em grandes propriedades: desenvolve-se melhor nos canteiros de pequenas áreas e integra um sistema de produção a partir da combinação com milho, feijão e mandioca, cultivados nos seis meses do ano de “descanso” da lavoura de tabaco.
José Mário Carvalhal de Oliveira, diretor de Política e Economia Agrícola da Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia, acha que o País está “dando um tiro no próprio pé” quando se compromete a diversificar as lavouras de tabaco ao ratificar a Convenção-Quadro, porque não há cultura mais rentável para agricultores que dispõem de áreas pequenas, muitos ainda trabalhando em sistema de arrendamento, meação e terça.
IMPACTO NEGATIVO Em Cruz das Almas, a 146 quilômetros de Salvador, agrônomos, trabalhadores rurais e empregados na indústria de beneficiamento do fumo temem o impacto negativo sobre a atividade fumageira no futuro, em consequência da adesão do Brasil à Convenção-Quadro. “Há uma dependência muito grande dessa atividade e a preocupação é com o cemitério, o caos, porque não existe outra perspectiva econômica. E a cultura é centenária, é como querer erradicar a lavoura de coca nos Andes”, compara Osvaldo Sant´anna, agrônomo da Empresa Baiana de Defesa Agropecuária e engenheiro de segurança de empresas fumageiras.
Com ele concorda Daniel Schmidt, agrônomo da Danco, empresa beneficiadora de fumo do grupo suíço Burger, que engloba a Cia.
Brasileira de Charutos Dannemann.
“Se o governo der condições, as pessoas migram para outra atividade. Mas, onde está a geração de emprego e renda? Só a Danco emprega 1,5 mil pessoas com carteira assinada. Em 15 anos, só uma indústria se instalou em Cruz das Almas, a Bibi Calçados, empregando 800 pessoas”.
Everaldo Pereira Guedes, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), lembra que a cidade sofreu com o fechamento da Agro Comercial Fumageira, há quase dez anos. “Foi uma tragédia.
Ela oferecia mais de dois mil empregos diretos, o comércio sofreu muito. A lavoura do fumo sempre foi a base da economia, a principal fonte de renda aqui, como o cacau já foi para Itabuna”, compara.
Sílvio Luiz de Oliveira Soglia, diretor da Escola de Agronomia, ressalta a tradição e importância da lavoura para a cidade e aponta perspectivas de uma parceria com empresas fumageiras, no campo de pesquisas. “É a grande contribuição que a escola pode dar”.
Uma atividade centenária
22/05/2006
Uma atividade centenária
BERNA FARIAS