Embargo faz exportação de suínos despencar até maio
O embargo da Rússia à carne suína brasileira - apenas o Rio Grande do Sul pode exportar ao país atualmente - fez as vendas externas do produto despencarem nos primeiros cinco meses do ano na comparação com igual período de 2005. A receita com as vendas somou US$ 332,023 milhões, 25,24% a menos que os US$ 444,097 milhões de janeiro a maio de 2005. Já o volume caiu -25,47% no período, de 234.410 toneladas para 174.698 toneladas, segundo a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). A suspensão foi imposta em dezembro após a descoberta de focos de aftosa no Mato Grosso do Sul e no Paraná.
De acordo com a Abipecs, a retomada das exportações pelo Rio Grande do Sul levou a uma "ligeira recuperação" das vendas em maio. Os embarques somaram 46.487 toneladas, ainda abaixo dos 52.308 toneladas de igual mês do ano passado, mas bem acima do volume exportado em abril - 28.850 toneladas.
No mês de maio, a receita com as exportações totalizaram US$ 98,541 milhões, uma queda de 2,81% em relação ao mesmo período de 2005. A perda em receita é bem menor que em volumes porque a oferta pequena de produto - em função da restrição russa - está valorizando as cotações. Em maio, o preço médio na exportação de carne suína foi de US$ 2.120 por tonelada, novo recorde após os US$ 1.978 de abril.
No entanto, as indústrias gaúchas habilitadas a exportar para a Rússia não conseguem atender toda a demanda do país - e, portanto, aproveitar os melhores preços - porque, por restrições físicas, conseguem exportar, no máximo, 60% de sua capacidade. Segundo a Abipecs, o aumento das exportações para Hong Kong e Cingapura ajudaram a reduzir o impacto negativo do embargo russo.
Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs, que está na Rússia para manter contato com importadores e tratar do embargo ao Brasil, avalia que após o longo período de embargo, dificilmente o país conseguirá repetir os resultados das exportações do ano passado, quando foram embarcadas 625 mil toneladas, com receita de US$ 1,168 bilhão.
Segundo ele, importadores locais informam que há falta de carne suína no mercado russo devido ao embargo ao Brasil. Isso elevou as cotações do produto no mercado doméstico russo em cerca de 30% nos últimos meses.
O executivo está na Rússia no mesmo momento em que o ministro da Fazenda, Guido Mantega visita o país para a reunião dos Ministros da Fazenda do G-8 em São Petesburgo. No encontro, o ministro deve tratar do tema embargo com seu colega russo e pedir o fim da restrição.
Mostrando-se pouco otimista com uma solução breve para o embargo, Camargo Neto queixou-se da posição russa e afirmou que pelas regras da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o embargo à Santa Catarina não se justifica. Ele acrescentou que, para obter o apoio brasileiro à sua entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC), a Rússia se comprometeu a cumprir os acordos da OMC e OIE, o que não estaria ocorrendo.