Soja transgênica preocupa área de defensivos

09/06/2006

Soja transgênica preocupa área de defensivos

Cibelle Bouças

 

O avanço das culturas transgênicas reduzirá o consumo de defensivos agrícolas em até 20% no país nos próximos anos, segundo estudo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef). Conforme a entidade, o plantio de uma área de 15 milhões de hectares com soja transgênica significaria uma queda na demanda por agroquímicos próxima a US$ 231 milhões.

"O mercado de defensivos tende a sofrer uma queda de 16% a 20% com a adoção de soja transgênica tolerante a herbicidas ou inseticidas", disse Cristiano Simon, presidente da Andef. De acordo com ele, essa diminuição deverá se confirmar em pelo menos cinco anos.

Em 2005, segundo dados do International Service for the Acquisition of Agri-biotech Applications (ISAAA), baseado nos EUA, a área plantada com soja transgênica no Brasil cresceu 88%, de 4,4 milhões de hectares em 2004 para 9,4 milhões. A expectativa das empresas de sementes é que a área plantada com soja transgênica no Brasil cresça mais 34% na safra 2006/07, para 12,6 milhões de hectares.

Segundo Simon, com isso as indústrias de defensivos tendem, nos próximos anos, a investir em agroquímicos voltados a problemas para os quais a biotecnologia ainda não encontrou respostas, como é o caso da ferrugem da soja. O surgimento do fungo, afirma o dirigente, proporcionou às empresas que atuam no país um aumento da receita com fungicidas em torno de US$ 1 bilhão por ano.

As indústrias também devem reforçar o desenvolvimento de produtos voltados a pequenas culturas e continuar investindo na aquisição de empresas de sementes. "Já ocorre em todo o mundo uma redução de receita do setor de defensivos em detrimento do setor de sementes. As indústrias estão atentas a isso e querem reforçar a atuação em sementes", diz Simon.

Na safra 2005/06 (em fase final de colheita), a Andef estima uma queda nas vendas de defensivos no país próxima a 10%, para R$ 8 bilhões. Neste mesmo ciclo, o mercado de sementes foi estimado em R$ 5,2 bilhões, ante R$ 5,9 bilhões na safra anterior. As vendas de sementes certificadas (produzidas pelas indústrias) recuaram 6%, para R$ 3,1 bilhões, conforme dados da Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais (Braspov).

Ivo Carraro, presidente da Braspov, informa que as vendas de sementes transgênicas têm crescido exponencialmente. Assim, o consumo de defensivos tem recuado, bem como as vendas de sementes convencionais. Hoje, 14% do total de sementes com registro no Ministério da Agricultura são transgênicas - 86 variedades no total.

Esse número sofreu uma expansão de 32% este ano, segundo Ivo Carraro, que também é diretor de pesquisa e produção da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem). "Os produtores procuram sementes que tenham um manejo mais simples e que demandem menos uso de defensivos. A tendência é de substituição de variedades convencionais por transgênicas ao longo dos anos".

Segundo Carraro, não há uma estimativa fechada de vendas para a safra 2006/07. Até agora, as indústrias prevêem queda de 2 milhões de hectares na área plantada de soja, para 21 milhões. Essa redução implicaria redução no uso de sementes próxima a 10%.

A repórter viajou a convite da Embrapa