Embarque de frango deve cair até 10%

12/06/2006

Embarque de frango deve cair até 10%

 
 

As exportações brasileiras de carne frango devem recuar entre 2% e 10% em volume este ano na comparação com 2005, quando foram embarcadas 2,845 milhões de toneladas. A estimativa é do presidente-executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef), Ricardo Gonçalves e se baseia no cenário visto até agora, de queda nas vendas externas por conta da retração da demanda no exterior em função de focos de gripe aviária na Ásia, Europa e África, nos primeiros meses do ano.

A receita, avaliou Gonçalves, pode até crescer em relação a 2005, quando o setor exportou US$ 3,508 bilhões. Isso porque há expectativa de oferta mais equilibrada, uma vez que a crise de demanda levou o setor a reduzir a produção. Além disso, com a normalização do consumo nos países importadores, espera-se um aumento de 10% nos preços no próximo semestre sobre o atual.

Em maio passado, o preço médio do frango na exportação ficou em US$ 1.103 por tonelada. No mês, o volume embarcado foi de 196.473 toneladas, 17,84% menor do que em maio de 2005. A receita totalizou US$ 216,782 milhões, queda de 22,57% na mesma comparação.

Gonçalves destaca, porém, que há uma estabilização dos volumes embarcados, do ritmo de queda das vendas externas e dos preços na exportação. "Há uma melhora de uma forma geral. Os estoques no exterior estão sendo consumidos", disse, acrescentando que, devido ao consumo desses estoques, os importadores ainda não voltaram a comprar.

O executivo ponderou ainda que 2005 foi um ano "espetacular" em termos de exportações, assim, as quedas até agora foram significativas, em parte, porque a base de comparação é elevada.

Entre janeiro e maio deste ano, as exportações atingiram 1,046 milhão de toneladas, um decréscimo de 5,52% ante igual período em 2005. A receita com as vendas teve ligeiro aumento, de 0,93%, alcançando US$ 1,236 bilhão.

No período, o setor amargou queda nas vendas para seus principais mercados. Até maio, o Oriente Médio comprou 249.780 toneladas, 25,6% menos que no mesmo intervalo de 2005. Para a Rússia, as vendas recuaram 21,57%, para 83.357 toneladas e para a União Européia, 6%, para 131.046 toneladas. Já a Ásia, ampliou as compras no período em 10%. Elas alcançaram 321.566 toneladas até maio deste ano. (Alda do Amaral Rocha)