Feira inicia abate e já pensa em exportação
A Baby-Bode, empresa de Feira de Santana que trabalha com o corte de caprinos e ovinos, iniciou, dia 2 de junho, abate e processamento da avestruz, com projeto para 150 aves por semana e cerca de 5 mil até o fim do ano.
Fundada há 13 anos, a empresa possui inspeção federal e está apta a distribuir o produto para todo o País, afirma o diretor-superintendente João Dantas. A carne é processada e embalada a vácuo e será entregue em São Paulo e Brasília, onde o consumo é maior.
A exportação será o próximo passo, informa Edivaldo Santos, que coordena a venda do produto e é presidente da Associação Baiana de Criadores de Avestruz (Abcav).
Na semana passada, ele negociou com espanhóis a exportação da pele da ave, utilizada na fabricação de cintos, bolsas e sapatos.
Com a abertura do frigorífico pela Baby-Bode para abate de avestruz, ocorreu um ligeiro crescimento na criação destinada ao abate no Estado. Na empresa Savana, em Paulo Afonso, os filhotes das 850 avestruzes vêm sendo guardados para o abate há um ano.
Valmir Palmeira, um dos 18 sócios, espera que até dezembro 250 animais sejam enviados para o frigorífico de Feira de Santana.
Em dois outros municípios – Santo Antônio de Jesus e Inhambupe – são feito abates, mas em menor quantidade, segundo Misael Gomes Santana, criador em Cabaceiras do Paraguaçu e ex-presidente da Cooperativa de Criadores de Avestruz da Bahia.
MASTER – A criação de avestruz está bem distribuída pela Bahia. O rebanho é estimado em 30 mil aves. A maioria (70%) ainda é formada por reprodutores. Há fazendas em Feira de Santana, Irecê e municípios do Recôncavo, sul, sudoeste e extremo norte do Estado.
“Mas não tem surgido novos criadores”, afirma Misael Santana, que atribui esta retração ao impacto provocado pelas dívidas da Avestruz Master.
A empresa de criação de avestruz, que ainda possui cerca de 800 aves em sua fazenda, no município de Camaçari, iniciou a construção de um abatedouro em Bela Vista (MS), anunciado como o segundo maior frigorífico de abate de avestruz do mundo.
Em novembro do ano passado, os acionistas, cerca de 8 mil, deixaram de receber o retorno de seus investimentos. Na semana passada, um novo conselho administrativo e financeiro foi eleito, com a promessa de sanar as dívidas, inclusive de acionistas baianos.