Venda de orgânicos sobe 50% (A Tarde)

10/07/2006

Venda de orgânicos sobe 50%

 

Venda de orgânicos sobe 50% # 30 tipos de alimentos orgânicos são produzidos no Brasil atualmente.

40% é a média a mais do custo dos produtos orgânicos em relação aos convencionais.

Fonte ❙ Agência Globo ELIANE OLIVEIRA Agência Globo, Brasília A produção e o consumo brasileiros de bebidas e alimentos orgânicos – frutas, hortaliças, carnes, tubérculos, frutos do mar e bebidas cuidadosamente cultivados e preparados sem aditivos químicos – representam menos de 1% da agropecuária brasileira. Porém, embora o setor ainda seja pequeno, tem mostrado expansão acelerada a cada dia.

De acordo com a Associação Brasileira dos Supermercados (Abras) e do Ministério da Agricultura, as vendas, que chegaram, em 2005, a US$ 350 milhões, estão crescendo cerca de 50% ao ano.

Depois do “politicamente correto”, a criatividade é o maior motor deste mercado. O Brasil já tem, por exemplo, a primeira ostra orgânica do mundo, cultivada no Rio Grande do Norte, e já se aventura na seara da cerveja orgânica, a primeira do País, produzida no Estado de Santa Catarina.

Trata-se de um segmento do agronegócio que garante exportações em torno de US$ 100 milhões anuais. A demanda internacional cresce cerca de 25% ao ano, e os principais compradores são europeus, americanos e japoneses.

O governo já tem pronta uma minuta de decreto presidencial regulamentando relações de consumo, qualidade, produção e certificação dos alimentos orgânicos. O objetivo é facilitar ainda mais a expansão das vendas domésticas e externas dos produtos.

A assinatura do decreto, no entanto, que chegou a ser uma promessa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao então ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, ainda não ocorreu. A nova legislação está parada no Palácio do Planalto.

O aumento da garantia da procedência do produto é fundamental para que os negócios deslanchem.

A clientela é exigente, quer consumir algo seguro que, no entanto, só é acessível a pessoas com condições de comprá-lo. A diferença de preços entre o alimento orgânico e o convencional é grande.

Para o Ministério da Agricultura, o custo chega a ser 40% maior, mas há casos em que a diferença supera 100%.

PRODUÇÃO – Cerca de 30 tipos de alimentos orgânicos são produzidos no Brasil atualmente, segundo especialistas. Mas a expectativa do presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Carlos Oliveira, é que a oferta de itens cresça ainda mais. Além disso, com o aumento da produção e da oferta, o preço tende a cair. “Ainda estamos aquém de outros mercados.

Enquanto nos EUA o segmento fatura cerca de US$ 21 bilhões por ano, no Brasil as vendas anuais chegam a US$ 300 milhões”, diz o presidente da Abras.

Mas, no geral, quem trabalha com esses produtos só tem a festejar.

É o caso da cervejaria Sudbrack, que lançou a cerveja orgânica Eisenbahn. “Estamos abrindo mercados novos e nossas vendas sobem cerca de 20% ao ano”, diz o diretor de marketing da empresa, Juliano Mendes.

No Rio Grande do Norte, há a primeira ostra orgânica do mundo.

Segundo o proprietário da Primar, Alexandre Wainberg, a empresa está entrando agora na fase de comercialização e produz 500 dúzias de ostras por semana.

Há 20 anos atuando como produtor de orgânicos, Joe Valle, proprietário da Fazenda Malunga, no Distrito Federal, lembra que, no início, o nome dado a essa atividade era agricultura alternativa.

“Muita coisa mudou desde então.

Hoje já conseguimos ver um horizonte nesse mercado”, afirma Valle.

“A demanda está crescendo muito. As pessoas querem qualidade de vida”, confirma Cristina Roberto, dona do único bufê orgânico de Brasília, mostrando que as oportunidades de lucrar neste mercado vão além do cultivo dos produtos.

Essa atividade se estende à área social. Em várias cidades, entidades públicas e privadas se unem na produção de hortas coletivas de vegetais orgânicos, cultivados por famílias de baixa renda. “São ex-catadores de lixo, sem-teto, moradores da periferia, que aproveitam espaços coletivos, como escolas, e até fundos de quintal.

Cria-se uma mentalidade ambiental com aumento de renda, e ainda é garantida uma alimentação saudável”, diz Maria Leonice de Freitas, coordenadora de Planejamento da Emater, no Rio Grande do Norte, que atende a 425 famílias.

O coordenador-geral de Desenvolvimento Sustentável do Ministério da Agricultura, Rogério Dias, destaca que, com a regulamentação que está para sair, será possível, por exemplo, saber que insumos foram utilizados na produção.

“É preciso garantir qualidade ao produto e dar segurança ao consumidor”, ressalta Dias.