Cochonilha afeta áreas de palma no Nordeste
As barreiras para conter a praga da cochonilha do carmim - inseto que produz um corante natural utilizado na indústria alimentícia - que vem assolando os palmais de municípios do Nordeste, foram ampliadas de 12 para 23 no Estado de Pernambuco. A preocupação é constante, uma vez que a palma forrageira é utilizada na alimentação do gado nas regiões do semi-árido do Estado. A Agência de Defesa Agropecuária de Pernambuco (Adagro) proibiu a circulação de palma forrageira proveniente de municípios contaminados e intensificou a desinfecção de veículos que participam de exposições agropecuárias nas áreas afetadas.
Segundo a Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA), há cerca de 130 mil hectares ocupados com palma no Estado. A mortandade nas regiões afetadas pela praga chega até 100%. "O problema está restrito, em Pernambuco, à microrregião do Sertão Central. O temor é que a cochonilha se espalhe e alcance a região Agreste, onde se concentra a bacia leiteira estadual", diz o pesquisador do IPA, Djalma Cordeiro dos Santos. O problema também já afeta Alagoas e Paraíba.
Para tentar minimizar os prejuízos, o IPA recomenda varrer as "raquetes" da palma contaminada para quebrar o ciclo do inseto ou erradicar o palmal afetado.
O IPA pesquisa variedades de palma resistentes ao ataque da cochonilha do carmim. Das mais de 800 espécies catalogadas pela instituição, pelo menos 10 têm se mostrado imune ao inseto. Os resultados mais promissores estão na chamada palma miúda. As variedades resistentes ao inseto estão sendo divulgadas na Agrishow Semi-Árido, em Petrolina.
A cochonilha começou a ser usada, no fim de 1998, na Fazenda Cachoeira, uma estação experimental da IPA. As pesquisas visavam oferecer uma opção de renda para os agricultores do semi-árido, uma vez que o quilo da cochonilha seca pode custar mais de US$ 18,00 para uso na indústria alimentícia e de cosméticos. Dois anos depois do início das pesquisas, o inseto começou a se disseminar no município de Sertânia, a 316 quilômetros de Recife. Agricultores locais acusam o IPA de ter abandonado o experimento, o que teria levado à infestação da praga.
A palma forrageira foi introduzida no Brasil no Século XVIII para servir de alimento para a cochonilha do carmim, inseto usado para obtenção de corantes naturais. Com o advento dos corantes sintéticos, a palma passou a ser utilizada para alimentação animal.
A comercialização da palma entre os criadores e agricultores nordestinos chega a render, em épocas de seca, R$ 1 mil por hectare.
O repórter viajou a convite do governo do Estado de Pernambuco
Paulo Emílio