Cogumelos: mercado crescente
Produção e demanda crescem 16% ao ano. Os exóticos tornam-se cada vez mais apreciados
A produção e a demanda de cogumelos comestíveis têm crescido em média 16% ao ano, com destaque para as variedades exóticas, como Pleorotus (shimeji) e shiitake, cujo aumento anual tem sido na faixa de 30%. Aproveitando essa expansão, os produtores da região do Alto Tietê - onde ficam Mogi das Cruzes e Suzano, os maiores produtores brasileiros do fungo -, intensificam o cultivo dos exóticos, sem abandonar, porém, o tradicional champignon-de-paris.
O produtor Ricardo Chuang, dono do Sítio Chuang, em Mogi das Cruzes, vem de uma família que cultiva cogumelos há 36 anos. Atualmente, além do champignon e porto bello, ele cultiva Pleorotus das variedades preta, branca, marrom, salmão. A técnica utilizada é a jun-cao, ou seja, em substrato à base de palha de capim ou de arroz e bagaço de cana, entre outros produtos.
“A produção é constante, quase o ano todo, exceto quando as temperaturas são extremas, no alto verão e no alto inverno”, diz. “A alta umidade de Mogi favorece o crescimento do fungo”, continua, acrescentando que, no substrato, dá para fazer, ao ano, três a quatro cultivos por barracão.
Chuang vende também a produção de terceiros, entregando o produto fresco no Carrefour e no Wal-Mart, além de restaurantes finos da capital. Ele conta que o preço ao produtor fica na faixa de R$ 10 a R$ 20 o quilo. A média é de R$ 15 a R$ 16, dependendo da variedade. “O shimeji preto e o shiitake têm preços maiores.”
DIVERSIFICAÇÃO
O produtor Jitsuo Hanaoka, do Sítio Hanaoka, cultiva cogumelos champignon há 15 anos. Há cerca de oito anos passou a cultivar também as variedades pleorotus preto, em potes esterilizados instalados em casas de cultivo climatizadas, e pleorotus branco, mais rústico, produzido pela técnica jun-cao, em palha e farelo de arroz. “O consumo de cogumelos exóticos tem crescido, e a demanda é maior para o preto”, afirma Hanaoka.
A maior parte da produção do Sítio Hanaoka é vendida para um distribuidor, que entrega o produto em restaurantes de São Paulo. No geral, o preço do pleorotus é melhor que o do champignon, compara. “Um quilo de champignon equivale a uma bandeja de 300 gramas das variedades exóticas, que é vendida para o intermediário ao preço de R$ 1 a R$ 4 a unidade, dependendo da época do ano”, diz. No verão, quando há queda na produção, os preços são melhores.
A produção de champignon do sítio é feita em dez barracões, em composto à base de bagaço de cana e palha de arroz, e a produção, vendida para distribuidores, é direcionada ao processamento. O rendimento, segundo Hanaoka, é igual ao dos exóticos: 20% do peso do saco, ou 2 quilos por saco de 10 quilos. O champignon leva cerca de 20 dias em incubação e, depois de nascido, pode ser colhido por 40 a 45 dias. Dá para fazer dois ciclos por ano no mesmo barracão. O quilo do produto é vendido por R$ 4,50 e a produção se concentra na meia-estação.
“O mercado é bom também para o champignon e o consumo é até mais garantido do que o dos cogumelos exóticos”, diz Hanaoka, que colhe 51 toneladas de champignon por ano, ante 7 toneladas anuais dos cogumelos exóticos.
JAPONESES E CHINESES
O Brasil produz cerca de 8 mil toneladas de cogumelos ao ano, sendo que praticamente 70% desse volume é colhido na região paulista do Alto Tietê, por descendentes de japoneses e chineses. Cerca de 80% da produção brasileira de cogumelos sai de São Paulo, principalmente de champignon, seguido pelos cogumelos shimeji e shiitake, pela ordem, segundo projeção do biólogo Edson de Souza, consultor e professor do curso de cogumelos da Embrapa.
“Hoje mais falta cogumelo do que sobra”, afirma o biólogo. “É uma das hortaliças de maior valor agregado.” De acordo com Souza, o brasileiro come 40 gramas de cogumelos per capita ao ano, ante a média européia, de 1,5 a 2 quilos/habitante/ano e a média individual da Alemanha, que bate o consumo de 4 quilos de cogumelos/ano.
Souza mantém vivas 150 variedades de cogumelos comestíveis e medicinais. Ele recomenda, aos interessados, fazer um curso antes de entrar na atividade, sobretudo para aprender a técnica chinesa jun-cao, de custo bem reduzido quando comparado ao cultivo tradicional dos cogumelos em toras. “É um método ecologicamente correto e permite um maior giro do capital”, conclui.
Beth Melo