Propriedade deve ter nível zootécnico elevado
Conforme o pesquisador Pedro Paulo Pires, da Embrapa Gado de Corte, o rendimento de um sistema de rastreabilidade depende, principalmente, do nível zootécnico da fazenda. Isto é, se o pecuarista já adota boas práticas de manejo antes de instalar um sistema de rastreabilidade, o rendimento será bem maior e as vantagens, evidentes.
O pesquisador calcula que, se o produtor ganha R$ 2 a mais por arroba, em um animal de 15 arrobas o lucro é de R$ 30. E esses R$ 30 de lucro compensam, e muito, os menos de R$ 10 investidos por cabeça para rastrear o rebanho. “E mesmo assim tem criador que não quer rastrear”, observa Pires.
Conforme explica Pires, a empresa certificadora não interfere no gerenciamento da fazenda. O que a empresa faz é registrar os animais no Sisbov, no Ministério da Agricultura. “Uma boa administração, com o controle rigoroso do rebanho, é responsabilidade de cada criador”, explica. “A certificadora simplesmente faz o registro.”
PADRONIZAÇÃO
Conforme explica o professor Iran José Oliveira da Silva, da Esalq/USP, o problema é que muitos produtores ainda estão desinformados, principalmente porque as informações não são padronizadas. “Cada Estado divulga um manual de rastreabilidade diferente, dificultando o entendimento pelo pecuarista”, diz Silva, acrescentando: “O mais importante por trás de tudo isso é a questão da segurança alimentar, cada vez mais valorizada e exigida pelos consumidores.” Para Silva, a rastreabilidade deve ser uma “responsabilidade compartilhada” por toda a cadeia produtiva. A União Européia só compra carne rastreada, mas “esta é uma tendência mundial e irreversível”, conclui.
SAIBA MAIS:
Nupea, tel. (0--19) 3429-4217; Embrapa, tel. (0--67) 3368-2000