Técnica chinesa rende mais
Jun-cao dá 4 colheitas ao ano, ante 1 do cultivo em toras a cada 18 meses
O biólogo Edson de Souza, produtor de sementes de fungos, diz que a técnica jun-cao tem substituído o cultivo em toras e permite usar vários tipos de substratos, com custos menores. No caso do capim moído, é feita a pasteurização por cinco dias antes de ensacar o composto com a semente, sob condições especiais de temperatura e vapor. Após esse período, o substrato é posto em sacos de 10 quilos e o cogumelo é semeado. A colheita é em 25 a 30 dias. O rendimento equivale a 20% do peso do composto.
Em vez de toras, o cogumelo pode ser cultivado também em potes pequenos, de cerca de 350 gramas, e o rendimento é de 50 gramas por pote/mês, ou 12% a 15% do peso do pote. “Cultiva-se o cogumelo em serragem e só se produz uma vez”, diz Souza. Se o cultivo for feito em tora, da colheita à semeadura levam-se 16 meses. “Enquanto a tora está incubando, você já obteve várias vezes a produção na técnica jun-cao”, compara.
QUANTO CUSTA
Fazendo um cálculo rápido, Souza diz que um fardo de 10 quilos de palha, ao custo de R$ 2,50, vira 30 quilos de substrato depois de molhado e rende 6 quilos de cogumelos em 40 dias.
Comparando com as toras, deve-se considerar o custo de deixá-las paradas por cerca de 18 meses, fora o espaço que ocupam. “Cada tora custa R$ 1,50, e dá para produzir 1,5 quilo de shiitake em 18 meses”, calcula. “No mesmo espaço das toras, é possível colher até quatro safras de cogumelos na técnica jun-cao. “Se utilizar serragem, o cálculo é o mesmo”, diz ele, acrescentando: “A diferença é que o produto não aceita pasteurização; tem de ser de esterilizado.”
Para que o cultivo do shiitake ou pleorotus seja economicamente viável, Souza afirma que são necessárias três casas de cultivo de 6x20 metros, para acomodar 3 mil sacos de substrato de 10 quilos cada. Para instalar a estrutura, gastam-se R$ 65 mil, sendo R$ 30 mil para as casas de cultivo - considerando a mão-de-obra -; R$ 15 mil para o túnel de pasteurização e R$ 20 mil para uma caldeira. Além dos R$ 65 mil, há ainda o capital de giro: R$ 3 mil de bagaço de cana; R$ 3 mil de palha; R$ 1 mil de farelo de cereal e R$ 1.500 de sementes, suficientes para 30 toneladas de substrato para encher as três casas de cultivo, além dos custos aproximados de R$ 7 mil, referentes à mão-de-obra para cultivo, colheita e embalagem do cogumelo.
“Se a produção do primeiro ciclo, de cerca de 60 dias, de 6 toneladas, for vendida por R$ 6 a R$ 10 o quilo, dá R$ 36 mil a R$ 60 mil”, diz Souza. “Com três ciclos e meio ao ano o investimento volta no primeiro ano.”