USDA confirma efeito de combustíveis nos grãos
"Embriagado" pelos reflexos da febre global em torno do uso dos biocombustíveis, o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre oferta e demanda de grãos nos mercados americano e mundial, divulgado ontem, promoveu expressivas correções nas previsões envolvendo milho e soja.
As mudanças já eram esperadas, e por isso não alteraram significativamente os rumos dos preços internacionais dos dois produtos. Analistas ouvidos pelo Valor afirmaram que as alterações estão em linha com as previsões de área plantada nos EUA divulgadas pelo próprio USDA em 30 de junho e com o comportamento do clima naquele país nesta fase de desenvolvimento das lavouras.
No caso da soja, ainda o carro-chefe do agronegócio brasileiro apesar da atual crise doméstica, o USDA reduziu sua projeção para a produção mundial em 2006/07 em 0,8% em relação ao relatório de junho, para 220,18 milhões de toneladas. Para os estoques finais globais do grão, a queda foi de 7,8% na mesma comparação, para 53,01 milhões de toneladas. Os dois ajustes foram determinados por mudanças nos EUA. A produção estimada é 0,3% superior à de 2005/06, enquanto os estoques são 0,8% inferiores .
Renato Sayeg, da
Nesse contexto, Sayeg destacou que, ainda que estejam em queda, os embarques de óleo de soja do país começam a apresentar um novo perfil, no qual se destaca o óleo refinado, por conta da demanda para a produção de biodiesel. "Em razão dessa variável, 2006 consolida a mudança do comportamento da soja como commodity. Por exemplo: grão, farelo e óleo subiram em junho na bolsa de Chicago, e o farelo foi o que teve a menor variação. E isso não tem volta". Ontem, em Chicago, os futuros do grão para agosto fecharam a US$ 6,07 por bushel, em queda de 3 centavos de dólar.
As novas previsões do USDA para o milho também não surpreenderam - ainda que, para os estoques finais americanos, esteja prevista para 2006/07 um tombo de quase 50% sobre 2005/06, para 27,35 milhões de toneladas. A projeção para a produção do país cresceu 1,8% em relação a junho, para 272,81 milhões de toneladas, mas ainda está abaixo da safra passada. As variações nos EUA se refletiram em correções na mesma linha para os números globais.
"A redução dos estoques americanos é um impacto do etanol, mas o mercado já havia absorvido. No mundo, caminhamos para um dos estoques mais baixos da história", afirma Paulo Molinari, da