Ceará vai apresentar experiências com caprino transgênico
Um casal de caprinos nascido no começo do mês na Universidade Estadual do Ceará (Uece), em Fortaleza, pode fazer parte da primeira linhagem de animais transgênicos brasileiros. As cobaias serão mostradas durante a 58ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que começou ontem e vai até o dia 21, na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis. O trabalho será apresentado na reunião anual pelo coordenador do projeto, Vicente José de Figueiredo Freitas, da universidade cearense. Os animais receberam genes humanos capazes de secretar uma proteína no leite importante para a medicina. A linha de pesquisa está sendo desenvolvida no âmbito do programa Rede Nordeste de Tecnologia (Renorbio) do Ministério de Ciência e Tecnologia.
Caso o gene responsável pela produção da proteína humana hG-CSF (Fator Estimulante de Colônias de Granulócitos) tenha sido incorporado ao genoma da cabra, o leite do animal poderá ser usado no tratamento de doenças relacionadas à deficiência do sistema imunológico e após o transplante de medula óssea. Recentemente, a proteína passou a ser usada para mobilizar células-tronco na regeneração de áreas do coração que sofreram infarto. O remédio nesses casos é muito caro e precisa ser impor tado.
Os animais transgênicos têm seu patrimônio genético alterado com a introdução de genes de outras espécies no núcleo do óvulo já fecundado. O objetivo é fazer com que o gene “estrangeiro” se expresse no animal hospedeiro. Segundo informações dos organizadores da reunião da SBPC, no mundo, mais de 50 proteínas humanas já foram produzidas por animais transgênicos em seu leite, mas a maioria está em teste para liberação do consumo. Ainda segundo a SBPC, experiências com caprinos produtores da proteína hG-CSF só foram realizadas na Coréia do Sul e os resultados também são exper imentais.
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência reúne, anualmente, representantes de todas as áreas da ciência brasileira, para que a comunidade possa se manifestar sobre questões fundamentais para a independência e desenvolvimento econômico nacionais.