Investimento português incentiva pinhão manso

17/07/2006

Investimento português incentiva pinhão manso


 

A confirmação da venda da Indústria Nordestina de Óleos Vegetais (Inove) - localizada em Petrolina (PE) e que estava arrendada à Caramuru Alimentos - para a empresa portuguesa HLC, com forte atuação no setor energético, atiçou o interesse dos produtores locais pelo pinhão manso. Segundo o prefeito Fernando Bezerra Coelho (PSB), a HLC deverá investir R$ 70 milhões para produzir óleo à base de soja e biodiesel a partir do pinhão.

A atenção foi despertada justamente em função dos custos de produção. Enquanto o litro do produto feito à base de pinhão manso sai por R$ 0,29, o mesmo produto obtido a partir da mamona não sai por menos de R$ 1,35, segundo dados da Conab.

"O governo quer que plantemos mamona, mas não conseguimos crédito e o preço da mamona está muito baixo. Por R$ 0,25 ou R$ 0,30 nem compensa o trabalho. Mas com uma fábrica aqui, esta coisa do pinhão manso começa ser uma nova oportunidade de garantir algum dinheiro para o trabalhador", acredita José Eudócio dos Santos. Ele foi um dos muito agricultores que participaram da Iª Agrishow Semi-Árido, evento realizado na semana passada e voltado para a difusão de tecnologias para pequenos agricultores.

Apenas em Petrolina, a área de sequeiro que pode vir a ser utilizado na produção de biodiesel é estimada em 20 mil hectares. E os baixos custos de produção de biodiesel a partir do pinhão manso não animaram apenas a HLC. A Petrobras está estudando a utilização do arbusto na usina que vai implantar na cidade mineira de Montes Claros (MG) com capacidade para produzir até 40 milhões de litros por ano.

"A produção de biodiesel de mamona só é viável quando subsidiada. O governo federal alardeou que a mamona poderia ser plantada em todo o país e depois teve que recuar e delimitar áreas para este fim. Se as pesquisas da Embrapa com o pinhão manso derem os resultados esperados, a situação muda ainda mais", diz um técnico da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA).

Mas, segundo o prefeito Coelho, também faz parte do projeto da HLC a ampliação da capacidade de processamento de mamona da Inove, de 50 mil para 100 mil toneladas. "A mamona viria originariamente da própria região ou de Irecê, na Bahia. Até que os investimentos sejam concluídos a Biovasf [Biodiesel do Vale do São Francisco, nome da empresa que será constituída] esmagaria mamona, que seria substituída gradativamente pelo pinhão roxo até o fim de 2007".

Marcos Antônio Drumond, pesquisador da Embrapa Semi-Árido e coordenador da pesquisa em torno do pinhão manso, ressalva que o comportamento da planta no semi-árido ainda não está bem avaliado e que os primeiros resultados devem demorar para aparecer. "O pinhão manso é uma alternativa a mais e também não pode ser tratado como a solução definitiva para o problema do semi-árido". (PE)