Água de coco de Quissamã deve abastecer São Paulo (Valor Econômico)

20/07/2006

Água de coco de Quissamã deve abastecer São Paulo

Francisco Góes
 

A água de coco produzida em Quissamã, entre o oceano Atlântico e a Lagoa Feia, no norte fluminense, poderá desembocar em breve no mercado de São Paulo. Para isso, a Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do município negocia parceria com um grande distribuidor paulista para vender a bebida envasada e congelada em garrafinhas PET de 300 mililitros. O plano coincide com a expansão da unidade de envasamento da cooperativa, um projeto financiado pela prefeitura local e que deverá ser pago com a inclusão de água de coco engarrafada na merenda escolar no município.

Nelson Perez/Valor
Norman Steiner, presidente da cooperativa, afirma que a aposta em São Paulo é "um esforço para abrir mercado"


Norman Steiner, presidente da cooperativa, não dá detalhes sobre as negociações em curso, e limita-se a dizer que trata-se "de um esforço para abrir mercado". Em 2006, os 60 produtores de coco de Quissamã, que têm área plantada de 1,2 mil hectares (120 mil coqueiros, 70% em produção), devem colher cerca de 5 milhões de frutos. Do total, a cooperativa usará 3 milhões de unidades para envasar 1 milhão de litros de água de coco, ante 590 mil no ano passado. As outras 2 milhões serão vendidas como frutos no Rio.

Steiner, um economista que abandonou o mercado financeiro, no Rio, e comprou terras em Quissamã, onde plantou 20 hectares com coqueiros a partir de 1999, acredita que, em 2010, a produção municipal poderá chegar a entre 8 milhões e 12 milhões de cocos por ano. A cooperativa envasa e distribui a água com a marca "Coco Quissamã" em restaurantes, hotéis e hospitais do Rio, e engarrafa para um cliente que a vende com marca própria. Em 2005, a cooperativa faturou R$ 3 milhões com a venda de água de coco, valor que deverá subir 20% em 2006.

Steiner disse que a expansão da unidade de envasamento incluiu a construção de um túnel de congelamento com capacidade de processar 6 mil litros por dia, que entrará em operação na primeira quinzena de agosto. Até lá, a água de coco segue sendo envasada e só depois congelada em uma câmara fria com capacidade para estocar até 240 mil litros.

A estocagem é necessária para atender ao consumo no verão. Com o túnel, o processo de congelamento da água envasada é antecipado. O coco sai da lavoura - a produtividade média em Quissamã é de 80 frutos por árvore (abaixo do Nordeste) - e é levado para a cooperativa; lá é selecionado, lavado e vai para a máquina de corte para a extração da água, que é filtrada. A seguir a temperatura da água é reduzida até dois graus positivos e envasada. As garrafinhas passam então pelo túnel e já saem congeladas a oito graus negativos, sendo levadas em fardos de 12 garrafas para a câmara fria, onde são conservadas a 18 graus negativos.

A cooperativa garante a validade do produto por 12 meses. Segundo Steiner, o novo equipamento vai aumentar a produtividade, reduzir custos com energia elétrica e servirá como uma garantia a mais para a qualidade. Para Lourdes Cabral, da Embrapa

Agroindústria de Alimentos, o túnel de congelamento representará um grande salto de qualidade para a cooperativa fluminense.Steiner diz que a capacidade de envasamento da planta, após a expansão, ficará em até 120 mil litros por mês. Em 2002, quando a unidade foi inaugurada, com aporte de R$ 300 mil, eram 30 mil litros mensais. Em um segundo momento, a cooperativa recebeu outros R$ 300 mil em investimentos a partir de um convênio com a prefeitura de Quissamã.