Prática reduz uso de químicos

20/07/2006

Prática reduz uso de químicos

Normalmente, cerca de 20 dias antes de iniciar o plantio, os produtores semeiam a gramínea. Em 20 dias, o solo está coberto e protegido. “Em uma estufa de 25 metros de comprimento, o produtor pode marcar de seis a sete linhas de plantio, com cerca de 10 centímetros de largura e distantes cerca de 1 metro entre si. Nessas linhas, ele tira a gramínea e planta tomate, por exemplo”, explica Duarte. “É um tipo de cultivo consorciado.” No inverno, a aveia é a gramínea preferida, pois concorre menos com a cultura principal, além de ser uma excelente forrageira.

ESTUFA ORGÂNICA

O produtor Nei da Rosa Vieira, que participou da experiência, diz que a rotação com aveia preta praticamente resolveu o problema com nematóides. Vieira possui duas estufas de 200 metros quadrados cada, onde cultiva tomate e morango orgânicos. “Cheguei a perder produções inteiras. O nematóide não deixava nem o tomate crescer”, conta. O produtor plantou aveia preta e deixou a gramínea nas estufas por um ano. “Esse método salvou a lavoura.”

MENOS AGROTÓXICOS
Para o técnico da Emater/RS, Marcus Vinícius da Cunha Duarte, o maior benefício da rotação com gramíneas é a diminuição drástica da aplicação de produtos tóxicos, como inseticidas, fungicidas e adubos solúveis. Ele lembra que, para combater a praga, os agricultores jogavam quantidades indiscriminadas desses produtos no solo. “Era muito agressivo e, além de não resolver o problema, era arriscado para os produtores e comprometia a qualidade do produto.” Hoje, produtos químicos estão sendo substituídos pelas caldas bordalesa e sulfocácica e por adubo orgânico. “Com a redução de defensivos químicos, a qualidade do produto melhorou e os agricultores ganharam em qualidade de vida.”

RENDA

Para ter-se idéia da importância econômica do cultivo de frutas e hortaliças em estufas para os agricultores da região, o grupo de produtores envolvidos na experiência é responsável pela produção de 4 toneladas de tomate de mesa por ano, as estufas são boa fonte de renda extra. Uma estufa de madeira de 200 metros quadrados custa R$ 1.500. “A prática é de baixo custo. Além disso, a gramínea é aproveitada como forragem para vacas leiteiras.”

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