Excesso de chuva atrasa a colheita e afeta qualidade
A colheita de algodão no Centro-Oeste do país, responsável por mais da metade da produção nacional, atingiu cerca de 30% do total, com um atraso de 30 dias em relação ao mesmo período do ano passado. O ritmo mais lento reflete o excesso de chuvas que atingiu as regiões produtoras em março, segundo levantamento da
O excesso de chuva também afetou a qualidade da fibra, informou Sérgio de Marco, presidente da Associação dos Produtores de Algodão do Mato Grosso (Ampa). A colheita no Estado, que estava estimada em 450 mil toneladas, deverá ficar em 410 mil toneladas, um recuo de 9%.
Apesar do menor ritmo na colheita, a comercialização da pluma está nos mesmos patamares do mesmo período do ano passado. Segundo Décio Tocantins, diretor-executivo da Ampa, cerca de 70% da produção nacional, estimada em 1,05 milhão de toneladas, já está comprometida com os mercados interno e externo. Só com as exportações cerca de 350 mil já foram negociadas antecipadamente, de acordo com levantamento da Safras&Mercado.
Para 2007, outras 350 mil toneladas de algodão já estão comprometidas com exportação. As boas perspectivas de embarques para o próximo ano podem levar os produtores a aumentar a área plantada com a algodão para a próxima safra, a 2006/07.
Segundo Miguel Biegai, analista da Safras&Mercado, a área pode crescer de 15% a 40%, dependendo dos fatores internacionais. "Há uma redução do quadro de oferta e demanda mundial de algodão", disse Biegai. Nos EUA, o clima seco na região do Texas deverá derrubar a produção daquele país. Outro fator altista é a expectativa de que a China libere novas cotas de importação de algodão nos próximos meses. "Se isso de fato ocorrer, os preços devem subir mais", disse.
A atual área plantada com algodão no país é de 845,3 mil hectares, 30% menor em relação à safra 2004/05. Os produtores da Ampa, contudo, estão menos otimistas em relação ao aumento da área plantada. Segundo De Marco, os produtores poderão, no máximo, manter a área plantada. O plantio ocorre a partir de novembro no Centro-Oeste.
De Marco, que também preside a Câmara Setorial da Cadeia do Algodão, lembrou que os produtores de algodão estão altamente endividados, o que inibe maiores investimentos nas lavouras. O câmbio desfavorável também é um fator de desestimulo para a cadeia.
De acordo com Biegai, entretanto, os preços futuros para 2007 devem ser o fator de incentivo para esses produtores.
No mercado interno, as cotações da pluma estão em queda por conta do avanço da colheita. Em São Paulo, a pluma está cotada a R$ 1,23 a libra-peso, queda de 8,2% em relação há duas semanas, segundo a Safras&Mercado.