Vale do Rosário planeja abrir o capital (Valor Econômico)

26/07/2006

Vale do Rosário planeja abrir o capital

 

 


O conselho de administração da Vale do Rosário, uma das maiores usinas de açúcar e álcool do país, vai se reunir na próxima segunda-feira com seus acionistas para propor a abertura do capital da empresa. "A abertura de capital vai permitir a expansão da usina", afirmou ao Valor Luiz Biagi, membro do conselho e maior acionista individual da Vale do Rosário, com participação de 11,11%. A usina está instalada em Morro Agudo, na região de Ribeirão Preto (SP), maior pólo sucroalcooleiro do mundo.

Segundo Biagi, a Vale do Rosário já recebeu propostas de seis bancos - entre os quais Pactual, JP Morgan e Merril Lynch - para dar início ao processo de oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). "Nas ainda não temos um banco mandatário", disse Biagi. A diretoria e os membros do conselho administrativo da empresa se reúnem hoje para consolidar a proposta, que deverá ser apresentada a todos os acionistas na próxima semana.

Biagi explicou que a abertura de capital poderá ser uma opção para a compra das ações de parte dos acionistas minoritários, que estão insatisfeitos e querem se desfazer de suas participações. Ao todo são 109 acionistas. Se concretizada a abertura de capital, a Vale do Rosário se transformará no segundo grupo de açúcar e álcool do país a realizar esta operação. O primeiro foi o Cosan, que abriu o capital em 17 de novembro de 2005. As ações do Cosan fecharam ontem a R$ 149,50, com aumento de 211,46% desde sua entrada no mercado.



Nos últimos meses, alguns dos acionistas da Vale procuraram no mercado potenciais interessados em suas ações. Uma das empresas consultadas foi a multinacional Bunge. A informação foi confirmada ao Valor pelo vice-presidente da usina, Cícero Junqueira Franco. Mas, segundo ele, os acionistas não podem vender suas ações sem antes oferecê-las à direção da usina.

Junqueira explicou que, pelas regras estatutárias da Vale do Rosário, os papéis dos acionistas têm de ser ofertadas primeiro à diretoria. Caso não haja um acordo, a companhia tem preferência de compra. Se os diretores e a empresa não comprarem as ações, o conselho de administração tem autorização para indicar um terceiro para oferecer os papéis. Ou seja, as regras estatutárias derrubam qualquer intenção dos acionistas da usina de tentarem adotar uma linha unilateral de negociação.

Em entrevista por telefone, Junqueira Franco minimizou o descontentamento dos acionistas minoritários da usina. Segundo Franco, eles não formalizaram uma proposta de vendas de suas ações. O empresário afirmou que trata-se de um movimento isolado de acionistas com participações com menos um dígito.

O Valor conversou com um dos acionistas insatisfeitos, apontado pelo mercado como o líder do movimento para a venda dessas ações. De acordo com esse acionista, existe, sim, um forte movimento de vários acionistas insatisfeitos para vender suas participações. A Bunge foi procurada por esse grupo, uma vez que tem grande interesse em entrar como produtora, e não só como trading, no segmento.

Mas além das regras estatutárias, que priorizam a venda das ações para a própria usina e impedem negociação paralela, outro empecilho para a Bunge é o fato de a multinacional ter interesse de ser controladora da Vale ou de qualquer outra usina que porventura venha a adquirir no país, informou uma fonte do setor. Procurada, a multinacional informou que tem interesse em investir em açúcar e álcool no Brasil, mas que não está em negociações no momento.

Fundada em 1964 por um grupo de agricultores, a Vale do Rosário tem em sua diretoria pesos-pesados do segmento sucroalcooleiro, como as famílias Biagi, Junqueira Franco e Almeida Prado. A Vale também tem 50% de participação na usina MB, 53% na Jardest e 24,5% na Crystalsev, empresa que negocia a produção de açúcar e álcool de nove usinas de São Paulo. O grupo está investindo R$ 150 milhões na construção de uma unidade produtora de açúcar e álcool na cidade de Frutal, no Triângulo Mineiro. A nova usina deverá entrar em operação na safra 2007/08.