Gripe das aves terá vacina
Em Cingapura, enfermeiras participaram de testes de aplicação emergencial de vacinas em larga escala, principalmente nos hospitais e fronteiras O grupo farmacêutico britânico GlaxoSmithKline anunciou ontem provas conclusivas para uma vacina contra o vírus H5N1, da gripe das aves, e mencionou a perspectiva de uma produção em massa para 2007. Em um teste clínico efetuado na Bélgica, quatro de cada cinco pacientes, de um total de 400, com idades entre 18 e 60 anos, que tomaram o produto em doses reduzidas (duas doses de 3,8 microgramas) mostraram uma forte reação imunológica positiva, acrescentou a empresa Glaxo.
Jean-Pierre Garnier, diretor-geral da companhia, citou um “grande avanço” e afirmou que o grupo pode produzir centenas de milhões de doses antes do Natal. Esta dose é duas vezes menor que a da vacina testada pelo laboratório Sanofi Pasteur, que, segundo um estudo publicado em maio pela revista americana The Lancet, era de duas vezes 7,5 microgramas. “Utilizamos um elemento especial e agora somos capazes de demonstrar uma eficácia e uma segurança totalmente satisfatórias com uma dose de apenas 3,8 microgramas”, explicou Garnier.
“Isto quer dizer que estaremos em condições, no mais tardar no final do ano, de produzir centenas de milhões de doses de uma vacina eficaz contra a pandemia, o que é um grande avanço”, acrescentou.
PROTÓTIPOS – O grupo pretende apresentar uma demanda de autorização às autoridades de saúde nos próximos meses. Uma dose mínima pode permitir esperar a produção de mais vacinas, a um custo ainda menor. Trinta e um protótipos de vacinas contra diferentes vírus da gripe das aves ou passíveis de ter uma ação universal contra vírus gripais estão em desenvolvimento em todo o mundo, segundo um balanço feito no início de maio pela Federação Internacional da Indústria do Medicamento (FIIM).
Elas foram – ou devem ser, ainda este ano – objetos dos primeiros testes em humanos, segundo a FIIM, enquanto ainda se ignora a forma que um vírus pandêmico virá a ter. Vinte e cinco projetos recorrem à técnica tradicional de cultura dos vírus em embriões de frangos. Os vírus são estimulados a se multiplicar nos ovos para permitir a produção da vacina, uma estratégia que pode enfrentar dificuldades em caso de falta de ovos na hipótese de a gripe das aves dizimar as criações de frangos.
Ainda que a cepa asiática do vírus H5N1, responsável pela atual epizootia de gripe das aves, seja considerada a mais propensa a causar uma pandemia humana, os outros vírus poderiam igualmente provocar um flagelo igual se adaptados ao homem.
Na falta de conhecimento sobre a cepa viral que provavelmente causará um dia uma nova pandemia humana de gripe como responsável pela gripe espanhola, em 1918, os laboratórios farmacêuticos preparam vacinas a partir dos vírus aviários, por estarem prontos a adaptar a vacina caso surja um vírus pandêmico. O antiviral Tamiflu, produzido pelo laboratório suíço Roche, continua sendo, até agora, o principal tratamento contra a gripe das aves em humanos que se tem notícia.
VÍTIMA – A Tailândia anunciou ontem a morte de um jovem de 16 anos vítima da gripe das aves, na província de Phetchabun, no nordeste do país. Phetchabun é vizinha à província de Pichit, onde foram registrados novos casos de gripe das aves entre as aves de criação, após oito meses de ausência da enfermidade nos animais.
O menino tailandês foi a 15ª vítima fatal e a primeira desde dezembro de 2005. A Tailândia foi, no ano passado, um dos países mais afetados pela gripe das aves.