Decretada falência do grupo
A Justiça de Goiás decretou ontem a falência do Grupo Avestruz Master, que tinha 53 mil investidores em vários Estados. O juiz Carlos Magno Rocha da Silva, da 11ª Vara Cível de Goiânia, também decretou a prisão temporária do proprietário do grupo, Jerson Maciel de Silva, pelo prazo de cinco dias, prorrogáveis.
O juiz decretou ainda a indisponibilidade e a arrecadação de todos os bens em nome das empresas do grupo, dos sócios, gerentes e administradores anteriores ao requerimento da recuperação judicial e, também, a indisponibilidade de todos os bens dos sócios das empresas franqueadas.
Outra decisão da Justiça foi a quebra dos sigilos bancário e fiscal de todas as empresas do grupo, dos sócios, gerentes e administradores, desde a data da constituição da Avestruz Master Agro-Comercial.
ROMBO – A dívida aos credores da AvestruzMaster chega a R$ 1,7 bilhão.
As contas da empresa estouraram em 4 de novembro. Para justificar o pedido de prisão temporária de Maciel, o juiz de Goiás argumentou que há “fortíssimos indícios de crime falimentar, além de graves prejuízos causados aos milhares de credores e à própria economia de Goiás e de outros Estados da Federação”.
O juiz também declarou ineficaz o contrato de prestação de serviços advocatícios firmado entre o grupo e o advogado Neilton Cruvinel.
Ele determinou à Secretaria da Receita Federal que forneça cópias das declarações de Imposto de Renda (IR) de todos os envolvidos na administração da empresa.
Os sócios, administradores e gerentes da Avestruz Master foram proibidos de ausentar-se de Goiânia sem autorização judicial. A decisão da Justiça proíbe ainda que as avestruzes sejam vendidas para a arrecadação da falência.
Ficou estabelecido ainda que as aves poderão ser vendidas, na forma de rateio, aos milhares de clientes que compraram cédulas de produto rural (CPR).
O juiz determinou que o gerenciamento provisório das empresas falidas fica a cargo do administrador judicial Sérgio Crispim, e do conselho de administração.
PENTE-FINO – A decisão do juiz ocorreu dois dias depois de a Polícia Federal (PF) ter realizado um pente-fino na casa de Maciel, uma cobertura no Setor Bueno. O cofre da casa foi levado pelos policiais depois de seis horas examinando documentos no apartamento de Jerson Maciel.
O empresário foi preso duas vezes, uma no fim do ano passado, logo após a crise da empresa, e em março deste ano.
A Avestruz Master captava dinheiro vendendo cédulas de produto rural oferecendo, em troca,
uma remuneração mensal de 11% ao mês.
Um aspecto questionado pela Polícia Federal é o estilo de vida que vinha sendo levado pela família Maciel mesmo depois da crise.
Todos os membros dispõem de esquema de segurança e circulam em carros importados de luxo.