Produção agrícola sustentável (A Tarde)

31/07/2006

Produção agrícola sustentável

 

Silvana Malta Promover a produção agrícola sustentável, através de práticas que causem menos impacto ao meio ambiente, buscando garantir também a segurança alimentar. Na visão do coordenador de Saúde Vegetal da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Raimundo Sampaio, este é atualmente o grande desafio da Engenharia Agronômica.
“Nosso trabalho deve assegurar uma alta produtividade agrícola sem pôr em risco a natureza, a comunidade envolvida na produção (operadores de máquinas, lavradores e aplicadores de agrotóxicos) e o consumidor final”, ressaltou.
Segundo o coordenador, atualmente a atividade agronômica com maior demanda de mercado é a assistência técnica privada, uma vez que o estado tem deixado paulatinamente de exercer essa função, descentralizando algumas ações delegáveis. “Trata-se de uma tendência mundial que vem sendo seguida pelos países da América Latina há, pelo menos, 10 anos. Na Bahia, por exemplo, o governo estadual tem se restringido à fiscalização de amostragens e ações de educação sanitária nas grandes propriedades e nas pequenas unidades agrícolas – neste último caso, através das cooperativas e associações de pequenos produtores”, salientou.
Dentro da assistência técnica privada, um dos serviços descentralizados pelo estado desde 1999, e prestados com maior freqüência pelo engenheiro agrônomo, é a certificação da origem dos produtos agrícolas após acompanhamento. Este documento, conhecido como CFO (Certificado Fitossanitário de Origem), comentou Sampaio, permite uma melhor rastreabilidade, é uma das principais exigências feitas pelo mercado internacional antes de importar nossos produtos. Da mesma forma, continuou ele, as grandes redes nacionais de supermercados também vêm dando preferência à compra de produtos com origem certificada.
Há ainda o mercado promissor das empresas prestadoras de serviços fitossanitários que, segundo Sampaio, estão surgindo cada vez mais na Bahia à medida que o governo “sai do circuito”.
Entre os serviços prestados por essas empresas, estão aplicação de agrotóxicos, higienização de embalagens, transporte de produtos agropecuários, tratamentos quarentenários, desinfestação de porões de navios e desinfeccão de cargas agrícolas.
As empresas prestadoras desses serviços devem ser cadastradas na Adab.
Pesquisa e ensino – Outro campo de atuação do engenheiro agrônomo é a área de pesquisa e ensino. No município de Cruz das Almas, no Recôncavo baiano, encontram-se instaladas uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e também a Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia (UFBa). Além disso, há ainda os organismos estaduais, a exemplo da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e os cursos de Engenharia Agronômica da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) em Vitória da Conquista; e a Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Juazeiro.
Como exemplo de pesquisa, o coordenador de Saúde Vegetal da Adab citou o projeto de produção e esterilização de insetos para controle biológico das moscas-das-frutas, maior praga mundial da fruticultura, que vem sendo desenvolvido pelo governo federal em parceria com os governos da Bahia, Pernambuco e Ceará e com o apoio da iniciativa privada. “O objetivo é reduzir significativamente o uso de agrotóxicos nas unidades rurais, assim como os custos, e melhorar a qualidade da produção”, frisou Raimundo Sampaio. Segundo ele, duas experiências-piloto do projeto estão sendo conduzidas nas cidades baianas de Juazeiro e Livramento de Nossa Senhora.
Dificuldades – A grande dificuldade enfrentada pelos profissionais da área, na opinião de Sampaio, ainda é a falta de compreensão por parte dos agricultores da importância do engenheiro agrônomo na redução de custos; a melhoria da produção; a adequação às novas exigências do mercado relacionadas à segurança alimentar; e o aumento da vida útil da unidade rural através da racionalização do uso dos recursos naturais. “Essa dificuldade tende a ser superada, no entanto, a partir do momento em que estes agricultores adquirem uma visão empresarial de suas unidades produtivas”, comentou.
A atividade principal do engenheiro agrônomo, de acordo com o coordenador, envolve o reconhecimento prévio da área produtiva (verificação técnica da aptidão agrícola da propriedade – clima, solo, vegetação, etc.); o planejamento estratégico para produção, recomendação de sementes certificadas, mudas selecionadas e maquinário adequado aos tipos de solo, além de orientação para o uso correto de agrotóxicos e devolução das embalagens vazias para as centrais de recolhimento.