Negociações batem recordes na BM&F (Valor Econômico)

04/08/2006

Negociações batem recordes na BM&F

 

Continuam aquecidos os negócios com contratos agropecuários - futuros, opções e ex-pit, estes usados em operações de trocas de futuros - na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Em julho, tanto o número de contratos quanto o valor movimentado foram recordes para um único mês. As transações envolveram 103.974 papéis, 19,4% mais que em junho e 22,5% acima de julho do ano passado. Já o volume financeiro atingiu US$ 914 milhões, com saltos de 19,1% e 20,1% nas mesmas comparações.

Os recordes apurados foram impulsionados por boi gordo, pela excepcional fase de preços do açúcar e pela soja. Nos três casos, o número de contratos negociados alcançou o maior patamar histórico mensal. Apesar de terem registrado queda no número de papéis em julho (34.826, 5% menos que em junho - os contratos de café continuaram respondendo pela maior movimentação financeira entre os produtos agropecuários, conforme confirmou Félix Schouchana, chefe do departamento agrícola da BM&F.

De janeiro a julho deste ano, foram negociados na bolsa o recorde de 697.843 contratos agropecuários, 28,8% mais que em igual intervalo de 2005. O volume financeiro, também recorde, ficou em US$ 6,010 bilhões e foi 13,4% superior a dos primeiros sete meses do ano passado. De acordo com os dados da BM&F, neste ranking o café arábica manteve a ponta, com US$ 3,663 bilhões (alta de 2,5%), seguido pelo boi gordo, com US$ 1,258 bilhão (aumento de 17,9%).

 Schouchana estima que, nesse ritmo, as negociações agropecuárias na bolsa deverão crescer entre 25% e 30% em 2006. No ano passado, foram 1,088 milhão de contratos negociados, com volume financeiro de US$ 10,13 bilhões, conforme o executivo. Para ele, os crescimentos observados refletem mudanças culturais em curso no campo, decorrentes de um crescente processo de profissionalização. "É um processo educacional que leva tempo. Trata-se da preparação para algo muito maior. Há potencial para chegarmos a 6 milhões de contratos por ano", diz.

Como termômetro para medir o maior interesse do agronegócio pela BM&F, Schouchana cita o número de contratos (futuros e opções) em aberto em julho: foram 78.344 posições, outro recorde, ante 71.118 em junho e 49.163 em julho do ano passado. No mercado de café, o número total de contratos em aberto liderou o ranking dos produtos agropecuários em julho e fechou o mês em 33.358.

Neste segmento, diz Schouchana, já houve um crescimento das negociações de contratos no fim de julho e a tendência para agosto é de recuperação. No caso do boi gordo, a entressafra acompanhada por melhores preços estimularam os negócios em julho e tendem a manter aquecidas as transações neste mês, também alavancadas pelo maior interesse dos confinadores. E na soja, segundo o executivo, vêm crescendo as operações de arbitragem para diluir diferenciais de preços entre a bolsa de Chicago e o mercado doméstico (como ocorre com o café, que tem a bolsa de Nova York como referência) e a participação das grandes cooperativas paranaenses também cresceu.

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Fernando Lopes