Época de risco para trigo do cerrado (A Tarde)

07/08/2006

Época de risco para trigo do cerrado

 

Os produtores de trigo em todo o País, especialmente os de regiões de cerrado, devem tomar cuidado com a plantação neste período, quando ocorre aumento da temperatura ou, no caso do trigo irrigado, aparece o espigamento.
A orientação é do pesquisador Júlio Albrecht, da Embrapa Cerrados, enquanto alerta que a ocasião é propícia para surgimento da brusone, uma das principais ameaças às lavouras de trigo.
A doença, explica para A TARDE Rural, é causada pelo fungo Magnaporte grisae, que afetou, no ano passado, até 40% da produção de algumas lavouras do Centro-Oeste do País. Segundo o pesquisador, os sintomas típicos são o branqueamento das espigas – da metade para o ápice – podendo ocorrer na parte aérea da planta.
“Quando a doença ataca a planta, podem ocorrer lesões elípticas nas folhas, com margem de coloração marrom-escuro e centro claroacinzentado”, diz o pesquisador, informando que o fungo requer água por mais de 10 horas e temperatura entre 23º C e 28° C.
Albrecht salienta que a brusone é uma doença policíclica. “O intervalo de tempo necessário para uma nova infecção é de sete a 12 dias e a disseminação ocorre, principalmente, pelo vento”.
O pesquisador orienta que o início do espigamento é a fase ideal para a aplicação preventiva de fungicidas.
A melhor eficiência para o controle desta doença pode ser obtida pela combinação de triazóis e estrobilurinas, no início do espigamento, e a aplicação de uma segunda dose 15 dias após, já no final do espigamento para proteger a maioria das espigas emergentes.
Até a maturação do trigo, os produtores precisam monitorar diariamente a lavoura. Outra recomendação do pesquisador é evitar excesso de água. “O aumento do tempo de molhamento favorece o surgimento da brusone”, adverte.
A grande procura por sementes de trigo neste ano, em razão da queda no preço da saca de feijão, esgotou o estoque de sementes. A saca de feijão (60 kg), cotada entre R$ 85 e R$ 90 no início do ano, caiu para um valor entre R$ 55 e R$ 60.
“O trigo, que está em torno de R$ 26 a saca, é mais atrativo”.
A brusone ocorre também no arroz, quando é atacado pelo fungo Piricularia aryzae, que causa perdas significativas no rendimento das cultivares suscetíveis quando as condições de ambiente são favoráveis. Tem sido registrada em todo o País, com maiores prejuízos nas terras altas.
No Centro-Oeste, em condições favoráveis à doença, as perdas chegam a 100%. Em Tocantins, que cultiva anualmente cerca de 70 mil hectares de arroz irrigado, embora não haja estimativas quantificadas, os prejuízos são significativos com a ocorrência da alta severidade da brusone nas folhas, devido à falta de água na fase vegetativa.
Na região Nordeste do País, especialmente na Bahia, a incidência é baixa e de menor importância, em comparação com as outras doenças que ocorrem no arroz.