Bahia pioneira em biodiesel
A Bahia deve se tornar um dos primeiros produtores comerciais de biodiesel no País. A unidade da Brasil Ecodiesel, instalada em Iraquara, a 464 quilômetros de Salvador, deve começar a produção ainda em outubro, entregando à Petrobras, até dezembro, cerca de 20 milhões de litros. O óleo será fabricado principalmente a partir de bagos de mamona e caroços de algodão.
Para se beneficiar dos incentivos concedidos pelo governo federal, a empresa deve priorizar a aquisição de matéria-prima de pequenos produtores, filiados ao Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), explica Arlindo Pereira, da diretoria da empresa.
“Cerca de 20 mil famílias deverão ser beneficiadas, pois a produção deve exigir 160 mil toneladas de mamona”, calcula Pereira, explicando que esta seria a quantidade de mamona necessária para a produção programada, de 80 milhões de litros de biodiesel/ano. “Nossa expectativa é mantermos uma produção diária de 100 mil litros”, esclarece.
A unidade pode utilizar qualquer tipo de oleaginosa, como soja ou óleo de palma (dendê) ou qualquer outro, mas o foco será nestas duas culturas por serem as mais abundantes e já implantadas em grandes áreas do oeste do Estado.
“A Bahia sempre apresentou condição muito favorável para iniciar a produção comercial do biodiesel. É o maior produtor nacional de mamona, com 90% de toda a safra do País, e segundo na produção de algodão, com 900 mil toneladas”, justifica o secretário de Agricultura, Pedro Barbosa.
Para ele, o Estado reúne condições objetivas de ser grande base de produção do biodiesel, tanto pela estrutura da logística agrícola quanto pela variedade da produção, que inclui alternativas para secas e entressafras. “São cerca de 450 mil toneladas de caroço de algodão, e ainda 2,5 milhões de toneladas de soja, que garantem produção ininterrupta”.
ÁLVARO FIGUEIREDO