Setor atrai aportes de " celebridades" (Valor Econômico)

09/08/2006

Setor atrai aportes de " celebridades"

 

O cantor sertanejo Zezé Di Camargo e o apresentador de TV Carlos Massa, o Ratinho, começaram a estudar a possibilidade de investir em açúcar e álcool. Celebridade dos agronegócios do momento, o setor sucroalcooleiro tem atraído o interesse de investidores sem familiaridade com a cultura canavieira - "aventureiros", como são chamados dentro do próprio segmento -, reflexo da boa fase da cultura no país.

Tanto Zezé di Camargo como Carlos Massa já atuam no agronegócio. O cantor cria gado no Tocantins. Segundo sua assessoria, Zezé encomendou estudos sobre o setor sucroalcooleiro e poderá fazer investimentos em parceria com usineiros em suas terras naquele Estado. Por enquanto, não há negociação em andamento. O mesmo está fazendo Carlos Massa, informou o gerente-geral de negócios do Grupo Massa, Sérgio Alves. "Estamos avaliando o setor. Até já recebemos propostas para firmarmos parcerias", afirma Alves. O apresentador também é pecuarista e comercializa café torrado e moído com a marca Café no Bule.

Com investimentos em negócios envolvendo laranja, o empresário e ex-piloto de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi, anunciou em maio parceria com o grupo Comfrio-JS Citrus, sediado em Bebedouro (SP), para investir R$ 750 milhões na instalação de três usinas álcool em Minas Gerais. Esses investimentos ainda não saíram do papel, segundo a Unica.

Na mesma trilha segue o piloto Bruno Junqueira, competidor da Fórmula Mundial. O piloto confiou a seu pai, o empresário José Alberto Tavares Junqueira, a empreitada de fazer um investimento em uma destilaria de álcool em Santo Hipólito, na região central de Minas Gerais.

A entrada de investidores sem tradição em açúcar e álcool no setor ainda não é significativa, segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica). "São casos isolados. Embora haja especulação desses investidores no setor, ainda não há investimentos concretos deles sendo realizados", afirma Padua.

O movimento mais comum é a migração de produtores agrícolas e pecuaristas para cana-de-açúcar, afirma o diretor da Unica. Esses investimentos são feitos, em boa parte, em parcerias com usineiros. Os investimentos de pecuaristas em cana-de-açúcar estão concentrados em regiões de Minas Gerais e nos Estados do Centro-Oeste, principalmente em terras antes dedicadas a pastagens. (MS)